Althusser, Gramsci e Bourdieu

Report
Althusser, Gramsci e
Bourdieu
BIOGRAFIA
LOUIS ALTHUSSER
• Nascimento: 16 de Outubro de 1918, Birmandreis, Argélia;
• Morte: 23 de Outubro de 1990 (72 anos), Paris, França;
• Aceito no École Normale Supérieure (ENS), em Paris, mas foi
convocado para a Segunda Guerra Mundial antes mesmo de
ingressar;
BIOGRAFIA
LOUIS ALTHUSSER
• Ao retornar, ingressou na ENS, mas com saúde
psicológica extremamente prejudicada;
• Filiou-se ao Partido Comunista Francês em 1948, mesmo ano em que se
tornou professor do ENS;
• Em uma de suas recaídas psicóticas, estrangulou a companheira Hélène
Rytmann;
• Afastou-se das atividades acadêmicas, recluindo-se no norte de Paris até sua
morte por ataque cardíaco em 1990.
INFLUÊNCIAS
KARL MARX
ANTONIO GRAMSCI
KARL MARX
Novas ideologias que dizem não haver mais lutas de
classes e nem mesmo classes sociais, Bourdieu, apesar
de não poder se definido como marxista reconfigura a
questão dessas relações.
Fatores que colaboraram para a revisão das teorias
marxistas:
• A redução do peso político do operariado industrial;
• O surgimento das classes médias urbanas;
• A emergência de movimentos de contestação social não catapultados pelos
setores proletários – revoltas estudantis de 68, movimentos hippie,
antinucleares, feministas, ecológicos, entre outros;
• A queda do sistema socialista soviético e a conseqüente irrupção das formas
de sociabilidade neoliberais.
ALGUNS CONCEITOS: Classe, luta de classes, mais-valia e fetichismo.
TEORIA ALTHUSSERIANA
• Revolução social pelo proletariado
(Marx);
• Aparelhos Ideológicos do Estado
(AIE’s);
• Critica a definição de IDEOLOGIA
de Marx como sendo uma “falsa
consciência”
TEORIA ALTHUSSERIANA
IDEOLOGIA
• Estrutura funcional ;
• Engrenagens que determinaria
diversas manifestações ideológicas
diretas;
• Seus
mecanismos
“sujeitam”
os indivíduos como “sociais”,
atuando em uma situação nãoconcreta de ideais abstratos, mas
considerados “reais” e absolutos
ALTHUSSER EM RELAÇÃO A MARX
• A ESTRUTURA
IDEOLÓGICO-POLÍTICA
(SUPERESTRUTURA) É
QUE DETERMINARIA A
ESTRUTURA ECONÔMICA
(INFRAESTRUTURA);
• O modo de produção
ainda é determinante
APARELHOS IDEOLÓGICOS DO ESTADO
• Instrumentos utilizados pela classe economicamente
dominante, (poder político), para reproduzir as relações sociais
de dominação e submissão existentes, a fim de continuarem no
poder.
• ALGUNS AIE’s (1985, p. 68)
• AIE religiosos (o sistema das diferentes Igrejas);
• AIE escolar (o sistema das diferentes escolas públicas e
privadas);
• AIE familiar;
• AIE jurídico;
• AIE político (o sistema político, os diferentes Partidos);
• AIE sindical;
• AIE de informação (a imprensa, o rádio, a televisão, etc...);
• AIE cultural (Letras, Belas Artes, esportes, etc...);
PODER DE ESTADO, APARELHO DE
ESTADO E AIE’S
Poder de Estado (Marx):
• Gira em torno do sentido de
ESTADO;
• É o OBJETIVO da luta política
de classes
PODER DE ESTADO, APARELHO DE ESTADO E AIE’S
Aparelho (repressivo) de Estado (Marx):
• 1º = REPRESSÃO (inclusive física)
• 2º = IDEOLOGIA
Exemplos: Exército, Polícia, Prisões
PODER DE ESTADO, APARELHO DE ESTADO E AIE’S
Aparelhos Ideológicos do Estado (AIE’s)
• Instituições especializadas que
funcionam, independentemente de
serem públicas ou privadas
• 1º = IDEOLOGIA
• 2º = REPRESSÃO (atenuada,
dissimulada ou simbólica)
PODER DE ESTADO, APARELHO
DE ESTADO E AIE’S
“Não existe aparelho unicamente repressivo (...). Não existe aparelho
puramente ideológico.” (ALTHUSSER, 1985, p. 70)
“Nenhuma classe pode, de forma duradoura, deter o poder do
Estado sem exercer ao mesmo tempo sua hegemonia sobre e nos
Aparelhos Ideológicos de Estado” (ALTHUSSER, 1985, p. 71)
CRÍTICA À TEORIA DOS AIE’s
• Visão simplista: garantir o desempenho do Estado e da ideologia;
• NÃO considera CONTINUIDADE HISTÓRICA;
• NÃO relativiza as instituições na formulação da CULTURA DE CADA
ÉPOCA;
AIE ESCOLAR E PESSIMISMO ALTHUSSERIANO
• ESCOLA - AIE fundamental na sociedade
moderna: substitui a IGREJA;
• EDUCAÇÃO - papel de “formar” indivíduos
subjugados à ideologia dominante;
• PROFESSOR - papel de desenvolver nos
alunos senso crítico sobre o sistema
ideológico. Contudo, estão subjugados a ele;
• O AIE ESCOLAR - negativo para a ruptura do
status quo social
CRÍTICA À TEORIA CRÍTICO-REPRODUTIVISTA
• Althusser e Bourdieu:
denunciam o caráter
reprodutivista
das
relações
de
poder
sociais pelo sistema
escolar;
• CRÍTICA:
detém-se
apenas à denúncia, sem
ações de intervenção;
BIOGRAFIA
ANTONIO GRAMSCI
•
•
•
•
Nascimento: Ales, 22 de janeiro de 1891
Morte: Roma, 27 de abril de 1937
Político, cientista político, comunista e antifascista italiano
Perseguido pelo regime fascista, foi preso em 1926 e condenado a 20 anos de
prisão;
• Escreveu 32 Cadernos do Cárcere, em um total de 2.848 páginas;
• Foi liberado por condicional em 1934, mas morreu logo depois com a saúde
extremamente debilitada.
ANTONIO GRAMSCI
• “ Conhecer a si mesmo significa ser
si mesmo, ser o senhor de si mesmo,
diferenciar-se, elevar-se acima do
caos, ser um elemento de ordem,
mais da própria ordem e da própria
disciplina a um ideal. E isso não
pode ser obtido se também não se
conhecem os outros, a história
deles, a sucessão dos esforços que
fizeram para ser o que são, para criar
a civilização que criaram e que nós
queremos substituir pela nossa.”
(GRAMSCI, apud DORE, 2009)
CONCEITO DE
HEGEMONIA
• HEGEMONIA (é uma relação educacional): primeira lembrança ao se pensar
no autor, porém ele não desenvolveu um conceito abstrato unicamente
direcionado a isto, trata-se de uma inovação que ajuda a interpretar os
outros inúmeros temas aos quais ele se dedicava (políticas, sociais,
filosóficas, históricas, culturais, econômicas, religiosas e literárias).
• Acreditava que o que possibilitava a elite conquistar e manter o poder não se
limitava a força física, mas a obtenção da dominação cultural - isto é,
capacidade de difundir por toda sociedade suas filosofias, valores, gostos,
etc. (“O opressor mora dentro do oprimido” – Paulo Freire).
• A civilização burguesa moderna se perpetua através de hegemonia. Mas esta
hegemonia não se limita a olhar para seus próprios interesses. Estimula
novas ideias e permanece em sintonia com demandas e aspirações de todos
os setores da sociedade.
CONCEITO DE
HEGEMONIA
• A libertação das classes subalternas requer um esforço e disciplina
concentrados, para superar as dificuldades originadas num sistema
de educação público que serve os ricos e perpetua seu papel
dirigente na sociedade.
• TODA AÇÃO DE HEGEMONIA É UMA AÇÃO PEDAGÓGICA.
• Independência das classes subalternas em relação aos intelectuais
burgueses: é preciso desenvolver e disseminar sua própria cultura,
ou seja, “elaborar sua própria concepção de mundo e vida”.
• Crítica a cultura “intelectualista” do saber enciclopédico que faz
com que as pessoas sintam-se superiores umas as outras.
OUTRAS CONCEPÇÕES
• Os Cadernos do Cárcere são o registro de uma extensa investigação
destinada a conhecer os outros: a burguesia. Um exame de sua
história desde as comunas medievais até a era fascista e uma
análise minuciosa das instituições e atividades por meio das quais
eles construíram e sustentaram sua civilização hegemônica.
• Concepção ativa ou ativista de educação: Educação não era a
recepção passiva da informação e refinamento solitário de uma
sensibilidade individual, mas com o poder transformador das
ideias, a capacidade de produzir a mudança social radical e
construir uma nova ordem através da elaboração e disseminação
de uma nova filosofia, uma visão alternativa de mundo.
PREOCUPAÇÕES
CENTRAIS
• Disparidade entre educação recebida pelas classes privilegiadas e os setores
desfavorecidos; as consequências da crescente especialização na educação; o
abismo que separa os intelectuais do povo e a “ciência” da “vida”; noutras
palavras, o conjunto das relações que constituem a hegemonia
• Acreditava que o que possibilitava a elite conquistar e manter o poder não se
limitava a força física, mas a obtenção da dominação cultural - isto é, capacidade
de difundir por toda sociedade suas filosofias, valores, gostos, etc. (“O opressor
mora dentro do oprimido” – Paulo Freire).
• A civilização burguesa moderna se perpetua através de hegemonia. Mas esta
hegemonia não se limita a olhar para seus próprios interesses. Estimula novas
ideias e permanece em sintonia com demandas e aspirações de todos os setores
da sociedade.
ANOS 70
Trecho de documentário
Série: Panorama Histórico Brasileiro
Autor: Marcelo Gomes
Tema: Década de 1970, chamada “década do desbunde”, quando
a cultura alternativa refletiu um período de mudanças
comportamentais, de atitudes transgressoras na arte e de
consolidação de uma indústria cultural difundida sobretudo pela
TELEVISÃO.
BIOGRAFIA
PIERRE BOURDIEU
• Nascimento: Denguin, 1º de agosto de 1930
• Morte: Paris, 23 de janeiro de 2002
• Etnólogo, mas reconhecido como sociólogo;
• Tornou-se famoso na década de 1960, publicando com
J.C. Passeron “Os Herdeiros”;
• Professor do Collège de France desde 1982
PIERRE BOURDIEU
• “a noção de aparelho reintroduz o pior dos funcionalismos: é uma
máquina infernal, programada para realizar certos fins. O sistema
escolar, o Estado, a Igreja, os partidos não são aparelhos, mas
campos. No entanto, em certas condições, eles podem funcionar
como aparelhos (...).”
CONCEITOS
• Capital Econômico: é o capital dominante, trata-se de
bens materiais, meios de produção entre outras
propriedades.
• Capital Cultural: Transmitido “hereditária” e
domesticamente: são valores, linguagens, maneiras de
pensar e ver o mundo, posturas, gostos (estética
relacionada às artes plásticas, músicas, vestimentas) e
auto-representações.
ESTADOS
• Incorporado: “ter que se tornou ser” não pode ser transmitido
instantaneamente, e é adquirido de maneira desinteressada e
inconsciente.
• Objetivado: são suportes materiais (escritos, pinturas, monumentos,
etc.), trata-se da transmissão de uma propriedade jurídica, que para
ser “valorizada” ou “útil” depende de um capital incorporado como
“saberes necessários para se utilizar uma máquina, ou para apreciar
um quadro”, ou seja, só há benefício adquirido de um capital
objetivado, se houver o capital incorporado.
• Institucionalizado: através dos diplomas: “certidão de competência
cultural que confere ao seu portador um valor convencional, constante
e juridicamente garantido no que diz respeito a cultura”.
CAPITAL SOCIAL
“Conjunto de recursos atuais ou potenciais que estão
ligados a posse de uma rede durável de relações mais
ou menos institucionalizadas (...) mas também são
unidos por relações permanentemente úteis.”
Essas relações permitem a numerosos agentes
diversos e dispersos agir “como um único homem” e
ultrapassar os efeitos da finitude que os liga, através do
seu corpo, a um lugar e a um tempo”
VIOLÊNCIA
SIMBÓLICA
• Quando uma maneira de ser e viver no mundo é
arbitrariamente posta como superior a todas as outras.
HABITUS
• Relacionado ao capital cultural incorporado. Os
diversos habitus são resultado das diferentes
condições objetivas (materiais e simbólicas) da
existência.
ESCOLA
CONSERVADORA
• Ordem arbitrária torna-se legítima através de estruturas que sustentam a
crença de que ela é natural ou inevitável. Uma dessas estruturas é a ESCOLA,
que o faz ao valorizar determinados pré-saberes.
ILLUSIO
• “Se você tiver um espírito estruturado de acordo com as estruturas do mundo
no qual você está jogando, tudo lhe parecerá evidente e a própria questão de
saber se o jogo vale a pena não é nem colocada. Dito de outro modo, os jogos
sociais são jogos que se fazem esquecer como jogos e a Illusio é esta relação
encantada com o jogo que é produto de uma relação de cumplicidade ontológica
entre as estruturas mentais e as estruturas objetivas do espaço social.”
(BOURDIEU, 1996: 139-140)
ILLUSIO
• Assim, a vida em sociedade, com seus conflitos e
injustiças patentes, obtém sua estrutura de
plausibilidade através da mediação da Illusio, na
medida em que esta obscurece - ou mais, justifica
e legitima as origens da produção e da
reprodução destes mesmos conflitos e injustiças,
pondo-os em estado de latência.
DISCUTINDO A ESCOLA
O ensino é diferenciado de acordo com as classes sociais?
REFERÊNCIAS
•
ALTHUSSER, Louis. Aparelhos Ideológicos de Estado : nota sobre os aparelhos ideológicos de
Estado (AIE) / Louis Althusser, 1918; tradução de Walter José Evangelista e Maria Laura
Viveiros de Castro ; introdução crítica de José Augusto Guilhon Albuquerque. — Rio de
Janeiro: Edições Graal, 1985, 2ª edição.
•
BERNARDINO, Paulo A. B. Estado e educação em Louis Althusser: implicações nos processos
de produção e reprodução social do conhecimento. Dissertação de Mestrado - UFMG/FaE,
2010. 190 f., enc, il. Disponível em:
<http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/BUOS8FQREV/1/paulo_augusto_bandeira_bernardino_dissertacao.pdf>. Acesso em: 24 abr. 2011.
•
BOURDIEU, P. A escola conservadora: as desigualdades frente à escola e à cultura?, in
Nogueira, M. Alice e Catani, Afrânio (orgs.). Escritos de Educação, Petrópolis, Vozes, 1998,
p.39-64.
•
BOURDIEU, Pierre. "Les trois états du capital culturel". Publicado originalmente in Actes de la
recherche en sciences sociales, Paris, n. 30, novembro de 1979, p. 3-6.
REFERÊNCIAS
•
BOURDIEU, Pierre. O capital social: notas provisórias. In: Nogueira, A. M. Catani (Orgs.)
Escritos de educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998 (11 ed. 2010), p.65-69.
_________. Os três estados do capital cultural. Idem, p 72-79.
•
CATANI, A. M. Educação, violência simbólica, capitais (cultural e social) e destino. In: BOITO
JR., Armando; TOLEDO, C. N. (Org.). Marxismo e ciências humanas. São Paulo: Xamã, 2003,
p.297 ? 310.
•
GRAMSCI, A. Caderno 12 (1932). Apontamentos e notas dispersas para um grupo de ensaios
sobre a história dos intelectuais. In: Coutinho, Carlos Nelson. (1999). Introdução. In: Gramsci,
A. Cadernos do Cárcere, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, vol 2. p. 13-53
•
DORE, Rosemeire. Gramsci e o debate sobre a escola pública no Brasil. In. Cadernos CEDES.
Gramisci, Intelectuais e Educação. Vol. 26, n70, set.\dez 2006. p. 329-352.
Dossiê Antônio Gramsci. (Bianchi, Baratta, Braga, Dore, Coutinho). In: Revista Cult, ano 12, n
141, Nov\2009. Cult on line: WWW.revistacult.com.br
•
REPENSANDO A DOMINAÇÃO SOCIAL OU TERIA BOURDIEU ALGO A DIZER AO MARXISMO.
Rodrigo Chaves de M. R. de Carvalho – Mestrando em Ciências Sociais pelo PPGCSO/UFJF.

similar documents