Modernismo 1ª Geração SAM

Report
Linguagens, Códigos e
suas Tecnologias
Modernismo
a
1
Geração
Prof. Natália
Modernismo
1ª Geração
SAM
10/04/2015
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10/04/2015
A boba, Anita Malfatti
(Exposição em 1917)
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Assim criticou Monteiro Lobato a exposição de Anita
Malfatti, com o artigo intitulado “Paranoia ou
Mistificação?”:
(...) quando as sensações do mundo externo transformaramse em impressões cerebrais, nós ‘sentimos’; para que
sintamos de maneira diversa, cúbica ou futurista, é forçoso
ou que a harmonia do universo sofra completa alteração,
ou que o nosso cérebro esteja em ‘pane’ por virtude de
alguma grave lesão. Enquanto a percepção sensorial se
fizer normalmente no homem, através da porta comum dos
cinco sentidos, um artista diante de um gato não poderá
‘sentir’ senão um gato, e é falsa a ‘interpretação que do
bichano fizer um totó, um escaravelho ou um amontoado
de cubos transparentes”.
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Características
• Versos livres e brancos;
• incorporação da fala coloquial e até de
manifestações linguísticas consideradas incultas;
• ausência de pontuação, infringindo a gramática
normativa;
• simultaneidade de cenas, num procedimento
semelhante ao da pintura cubista;
• enumeração caótica de ideias, formando
verdadeiras colagens.
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• Volta às origens e valorização do índio
verdadeiramente brasileiro;
• Paródias - tentativa de repensar a história e a
literatura brasileiras;
• A postura nacionalista apresenta-se em duas
vertentes:
- Nacionalismo crítico, consciente, de denúncia da
realidade, identificado politicamente com as
esquerdas.
- Nacionalismo ufanista, utópico, exagerado,
identificado com as correntes de extrema direita.
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Movimentos modernistas
MOVIMENTO PAU BRASIL(1924-30)
- Valorização da cultura nacional;
- Poesia primitivista crítica do passado
histórico;
- Aceitação dos contrastes brasileiros como
formadores de nossa cultura.
MOVIMENTO VERDE AMARELO OU
ESCOLA DA ANTA (1926-1929)
- Nacionalismo puro, primitivo, sem qualquer
tipo de influência;
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- Movimento de reação contrária ao Pau
MOVIMENTO ANTROPOFÁGICO
- Devoração simbólica da cultura do colonizador europeu,
sem com isso perder nossa identidade cultural;
- Origem a partir de uma tela feita por Tarsila do Amaral, em
janeiro de 1928, batizada de Abaporu (aba= homem e
poru = que come).
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Principais articuladores
• Na Literatura: Oswald de Andrade,
Mário de Andrade, Graça Aranha,
Ronald de Carvalho, Menotti Del
Picchia, Guilherme de Almeida e Sergio
Millet, Monteiro Lobato.
• Nas Artes: Di Cavalcanti, Vicente do
Rêgo, Anita Malfatti, Lasar Segall,
Tarsilla do Amaral e Ismael Nery
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Os Sapos (Manuel Bandeira)
Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".
O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
Vai por cinqüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.
Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
Urra o sapo-boi:
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".
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Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.
Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;
Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".
Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é
Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" "Sabe!".
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...
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O cortejo (Mário de Andrade)
Monotonias das minhas retinas...
Serpentinas de entes frementes a se desenrolar...
Todos os sempres das minhas visões! "Bom giorno, caro."
Horríveis as cidades!
Vaidades e mais vaidades...
Nada de asas! Nada de poesia! Nada de alegria!
Oh! Os tumultuários das ausências!
Paulicéia - a grande boca de mil dentes;
e os jorros dentre a língua trissulca
de pus e de mais pus de distinção...
Giram homens fracos, baixos, magros...
Serpentinas de entes frementes a se desenrolar...
Estes homens de São Paulo,
Todos iguais e desiguais,
Quando vivem dentro dos meus olhos tão ricos,
Parecem-me uns macacos, uns macacos.
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Canto de regresso à pátria
(Oswald de Andrade)
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.
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Amor
Humor.
(Oswald de Andrade)
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Namorados
(Manuel Bandeira)
O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
— Antônia, ainda não me acostumei com o seu [corpo, com a sua
cara.
A moça olhou de lado e esperou.
— Você não sabe quando a gente é criança e de [repente vê uma
lagarta listrada?
A moça se lembrava:
— A gente fica olhando…
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
— Antônia, você parece uma lagarta listrada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
— Antônia, você é engraçada! Você parece louca
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Macunaíma (Mário de Andrade)
O herói teve medo e desembestou numa chispada mãe parque a dentro. O
cachorro correu atrás. Correram correram. Passaram lá rente à Ponta do
Calabouço, tomaram rumo de Guajará Mirim e voltaram pra leste. Em
Itamaracá Macunaíma passou um pouco folgado e teve tempo de comer
uma dúzia de manga-jasmim que nasceu do corpo de dona Sancha, dizem.
Rumaram prá sudoeste e nas alturas de Barbacena o fugitivo avistou uma
vaca no alto duma ladeira calçada com pedras pontudas. Lembrou de
tomar leite. Subiu esperto pela capistrana pra não cansar porém a vaca de
raça Guzerá muito brava.Escondeu o leitinho pobre. Mas Macunaíma fez
uma oração assim:
Valei-me Nossa Senhora,
Santo Antônio de Nazaré,
A vaca mansa dá leite,
A braba dá si quisé!
A vaca achou graça, deu leite e o herói chispou pro sul. Atravessando o
Paraná, já de volta dos pampas bem que ele queria trepar numa daquelas
árvores porém os latidos estavam na cola dele e o herói isso vinha que
vinha acochado pelo jaguará.
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O "adeus" de Teresa
(Castro Alves)
A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus
E amamos juntos E depois na sala
"Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala
Passaram tempos sec'los de delírio
Prazeres divinais gozos do Empíreo
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse - "Voltarei!
descansa!. . . "
Ela, chorando mais que uma criança,
Ela em soluços murmurou-me:
"adeus!"
E ela, corando, murmurou-me: "adeus."
Uma noite entreabriu-se um reposteiro. . .
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus
Era eu Era a pálida Teresa!
"Adeus" lhe disse conservando-a presa
Quando voltei era o palácio em festa!
E a voz d'Ela e de um homem lá na
orquesta
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! Ela me olhou branca surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!
E ela entre beijos murmurou-me:
"adeus!"
E ela arquejando murmurou-me:
"adeus!"
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Teresa
(Manuel Bandeira)
A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do
corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o
resto do corpo nascesse)
Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das
águas.
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