FEB Schwartz & Cap. 7

Report
FEB, 2012-1
Prof. Fernando Carlos G. de C. Lima
Resumo: Schwartz & Lockhart
América Latina na Época Colonial (Cap. 7)
A era do açúcar (I)
NE: instalação de engenhos de açúcar
- Desenvolvimento de portos
- Crescimento da população portuguesa (nos portos &
engenhos)
As instituições e estruturas portuguesas foram transferidas
com relativo sucesso
“O fracasso dos portugueses em criar MO indígena confiável ...
tornaram ainda maior a importância dos trabalhadores
africanos”
A era do açúcar (II)
Mas... “O Brasil não era a Europa”  relações e hierarquias
coloniais
Tanto no NE, como no RJ, Belém ou São Luís “desenvolveu-se
uma sociedade ibérica baseada na escravidão ...
População composta, em grande parte, de índios cativos
e, ainda mais, de africanos escravizados
 Embora localizada na costa, era o núcleo do Brasil”
A era do açúcar (III)
O sertão (NE), a região do rio Amazonas e o sul ligados apenas
secundariamente à economia exportadora  atraíam
menos colonos
“A mão do governo real era fraca, e as instituições ibéricas,
atenuadas”
 Sociedade mais influenciada pelos costumes indígenas na
cultura material, na interação social e na organização”
Engenho (I)
“A instituição social central da vida colonial brasileira no século
XVII era o engenho, complexo de terra, MO cativa,
habilidades técnicas e capital que produziu o açúcar”
“engenho”  plantation
Processo de produção:
cana-de-açúcar levada em carros de boi para os engenhos;
produção de caldo de cana (em prensas verticais)
movidas a água ou por juntas de bois; caldo fervido para
limpeza; caldo era colocado em moldes (pão de açúcar)
para secar (açúcar cristalizado)
Engenho (II)
• Engenho médio: 60-80 escravos (os maiores tinham 200)
• Independentemente da “personalidade” do senhor de
engenho, “o açúcar impunha sua própria realidade”
elevadas taxas de morbidade e de mortalidade (entre 5 e
10% ao ano)
Por outro lado, “do amargo cativeiro dos escravos vinha o doce
açúcar”
 O título “senhor de engenho” cumpria na colônia a mesma
função de um título de nobreza no reino
Os senhores de engenho (I)
Os produtores de açúcar exerciam considerável poder político,
econômico e social. Eram favorecidos por incentivos
fiscais e alguma proteção contra a alienação por dívidas
Quem eram os SE?
- Donatários e gente de origem mais humilde
- Nobres portugueses, mas que dependiam de procuradores e
feitores no Brasil
Não eram ausentes, e logo desenvolveram características de
grupo (& casamentos) e estilo de vida especial
Os senhores de engenho (II)
Os engenhos eram empreendimentos comerciais: prestígio era
importante para os SE, mas os cálculos de perdas e
ganhos o eram ainda mais:
- duas colheitas fracas podiam provocar a sua ruína
- pequena margem de lucro:
7 a 10% sobre a produção
3 a 4% sobre o capital investido
 Elevados investimentos em K fixo (terra, prédios, equipamento,
animais...)
 Elevados riscos [& incerteza...]: MO, clima, preços na Europa...
Os senhores de engenho (III)
Os SE levavam “vida de conde”, mas sua situação financeira era
frágil
 A maioria estava fortemente endividada com os que
tinham financiado o investimento inicial e com os
comerciantes do reino [dívida externa...]
A rotatividade na classe dos SE era elevada: se não podiam
saldar suas dívidas, suas propriedades eram leiloadas
mas eram eventualmente protegidos pela coroa
 Eterno conflito: a Coroa não podia deixar morrer suas
galinhas dos ovos de ouro para não perder a colônia +
equilíbrio das forças políticas
Pernambuco: “nobres” versus “mascates”
Evaldo Cabral de Mello. A fronda dos mazombos
Guerra dos Mascates (1710): contenda municipal entre Recife e
Olinda, cuja base foi o antagonismo entre o mercador
reinol e o produtor brasileiro, ou a loja e o engenho, ou
o credor urbano e o devedor rural
 “Radical em PE e atual ou latente na BA e no RJ, esse tipo de
conflito inexistiu em outras áreas açucareiras das
Américas, para as quais não se pode falar sequer em
dicotomia local do mercador e do produtor”
Pernambuco: “nobres” versus “mascates”
Evaldo Mello, idem (II)
“[No Caribe] o negociante residente, operando
independentemente ou como agente de outro
mercador sediado na metrópole, desapareceu do mapa;
e o planter tornou-se o negociante de si mesmo,
controlando, ao contrário do Brasil, a comercialização da
sua safra em Londres ..., mediante comissão”
 [No Brasil] no século XVI e início do seguinte, o negociante
financiava o colono (que era um parente ou sócio) que
se aventurava a ir fundar um partido de cana ou erguer
um engenho, partilhando os lucros; o açúcar ia
diretamente para Portugal
(cont.)
A partir de 1620 (c.): fim participação dos cristãos-novos
“Mascates”: artesãos & pobres vindos de Portugal que acumulavam
recursos e abriam negócio em Recife, “onde mediam e
pesavam, exercícios manuais e portanto envilecedores,
tornando-se comissários de comerciantes do Reino e
ascendendo a negociante em grosso
“O financiamento da safra de açúcar achava-se agora a cargo
desses homens, que adiantavam ao SE o capital de giro com
que operar até a chegada da frota anual, quando se
procedia ao ajuste de contas. Fora do crédito mercantil, só
havia a família e a parentela, a Santa Casa da Misericórdia de
Olinda...”
Relatório sobre a Capitania da Paraíba, em 1635, pelo
Sr. Dr. Servaes Carpentier, Diretor da Companhia
Os habitantes dessa capitania, que tiram, na maior parte, os
meios para a sua subsistência da lavoura, residem em
suas terras; e como os engenhos precisam para moer de
estar próximos da água e de seus canaviais, assim da
mata, que lhes fornece madeiras e lenha, acham-se
dispersos aqui e acolá, de modo que não há aldeias, a
não ser que se dê tal nome a um engenho, sem grande
impropriedade, pois entre brancos e negros alguns deles
contam com 70, 80 e 100 e mais moradores.
Relatório... Idem
Agricultura
Os produtos agrícolas aqui cultivados são de duas espécies: uns
servem apenas para a alimentação dos habitantes e
outros para a exportação.
Entre os alimentícios, o principal é a mandioca, de cuja raiz se
faz a farinha [que] serve de pão para os habitantes,
excetuando os ricos, que usam o trigo trazido de
Portugal. Figura também o milho ... que é misturado
com a farinha, com o que se faz bom pão
Além disso há muitas espécies de frutos de plantas rasteiras
como sejam batatas, melões, melancias, abóboras
Relatório... Idem
Pecuária
Quando o país estava em paz, encontrava-se aqui muito gado,
mas tem diminuído muito, dispersado pela guerra; mas
logo que possível será arrebanhado e criado; matam as
vacas apenas quando estão velhas e os bois quando não
podem mais trabalhar ...Existem, além disso, cabritos,
cabras e carneiros, mas poucos. Há grande abundância
de porcos
Há também, no mato, muitas espécies de pássaros, alguns com
linda plumagem, outros bons para se comer
Relatório... Idem
População
Os habitantes da capitania são livres ou escravos. Os livres são
portugueses, neerlandeses e outros povos europeus ou
brasilianos natos; os escravos são brasilianos ou negros
trazidos de Angola ou Cabo Verde
Os brasilianos que moram aqui são da tribo dos Petiguares,
geralmente menores que os europeus e também não
tão robustos ou trabalhadores ... Os portugueses
consideram-nos um povo inconstante, infiel e ingrato,
no qual não se deve confiar
Relatório... Idem
Escravos: Índios
Os escravos são, em primeiro lugar, os índios aprisionados
pelos Tapuias e vendidos aos portugueses
Outra espécie de escravos são os Tapuias do Maranhão,
aprisionados ali em guerra e pelos portugueses
vendidos e mandados para cá. São de pequena
estatura, fracos e incapazes de qualquer esforço e,
quando os fazem trabalhar, dão-se ao vício de
comer terra, do que por fim morrem, o que logo se
reconhece pela brancura da língua
Relatório... Idem
Escravos: africanos
A terceira e maior parte são negros de África, especialmente de
Angola; essa gente faz todo o serviço da terra,
trabalhando dia e noite, sempre mantidos com muitos
açoites
Os portugueses têm um rifão que diz: quem quiser tirar
proveito dos seus negros deve dar-lhes muita
comida, muito trabalho e muitos açoites; sem isso não
se consegue serviço nem vantagem alguma
Os negros da Guiné são bons, mas não tão fortes, de sorte que
a maior parte é utilizada nos trabalhos domésticos
Os do Cabo Verde são os melhores e os mais robustos de todos
e são os que custam mais caro aqui
Relatório... Idem
Produtos de exportação
Os produtos do país que servem para o comércio são
principalmente o açúcar e a madeira de tinturaria,
depois o tabaco, couros, algodão, etc.
Há nesta capitania 18 engenhos, dos quais uns são movidos a
água e outros a boi e todos estão situados no rio Paraíba
O primeiro pertence a um português e tem partido que
pertence propriamente ao engenho e o resto das canas é
fornecido pelos monges de São Bento
O segundo engenho é também movido a água; o proprietário
fugiu com Albuquerque e por isso foi confiscado, mas
não pode moer porque levaram os tachos e os negros
fugiram
Relatório... Idem
Acúcar: exportação (I)
O açúcar estando fabricado e encaixado é conduzido para
certos passos ou armazéns situados à margem do rio
Paraíba, para poder ser facilmente embarcado; há
presentemente dois deles, um pertencente a Paulo de
Almeida do lado norte do rio e o outro a Manuel de
Almeida
Esses passos têm seus privilégios, ninguém podendo ter outro
perto deles
Toda caixa que é trazida ali paga por todo o tempo que
permanecer um schelling, se a marcarem mais um, e se
a quiserem pesar mais dois
Relatório... Idem
Açúcar: exportação (II)
Todo o açúcar que é levado ali toma o competente registro num
livro, assim como quando sai de lá
Alguém que leve lá algum açúcar recebe um recibo do senhor
do passo o qual apresenta juntamente com uma
amostra aos que o quiserem comprar e, tendo-o
vendido, entrega a nota ao comprador que retira por
meio dela o seu açúcar
Fonte: Fontes para a História do Brasil Holandês. 2. Administração da
Conquista. Texto editado por José Antônio Gonsalves de Mello. MinC,
Fundação Pró-Memória, 1985

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