Slide 1 - Estudo Psicologia

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PSICOLOGIA, MISTICISMO E
PRÁTICAS NÃO RECONHECIDAS
Aproximações e distanciamentos
PSICOLOGIA, MISTICISMO E PRÁTICAS NÃO
RECONHECIDAS
“Eles [os saberes alternativos] ressurgem na
fissura entre a ausência de uma ética e a
impossibilidade de a ciência circunscrever de
modo preciso a subjetividade. Não é de causar
espanto a psicologia se mostrar como o solo fértil
da germinação desses saberes, uma vez que o
campo psi está situado precisamente nesta fenda”
Filho, João B. M. Saberes alternativos: emergência de uma prática
ou de uma denúncia? In: Jornal do Psicólogo, n. 58, p. 5
PSICOLOGIA, MISTICISMO E PRÁTICAS NÃO
RECONHECIDAS
“(...) me oponho ao segredo sobre manobras técnicas,
desde que, desta forma, o ofício do psicólogo passou a
ser confundido com prática esotérica ou mágica. Não é
possível concordar que as psicoterapias possam estar
fundadas em qualquer forma de engano e a utilização
de uma ‘técnica secreta’ não liberta, mas apenas
mantém o seu cliente expropriado do seu discurso (...).
São mistificadoras as técnicas que não satisfazem os
critérios mínimos de racionalidade. (...) considero
mistificação a utilização de técnicas que se justificam
mediante o uso de rituais prescritos e com origem
externa à relação terapêutica, que não podem ser
plenamente entendidos pelo cliente, no tanto que
fazem apelo à má-fé e à mistificação”.
Marzagão, Lúcio R. As psicoterapias e suas alternativas. In: Jornal
do Psicólogo, n. 60, p.5.
PSICOLOGIA, MISTICISMO E
PRÁTICAS ALTERNATIVAS
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Desenvolvimento da Psicologia como Ciência (séc.
XIX): a partir de um paradigma positivista,
propõe o desligamento das ideias psicológicas
abstratas e espiritualistas.
No entanto, as matrizes filosóficas da psicologia e
sua proximidade com a metafísica favorece a
proximidade entre o campo da psicologia e das
práticas não abarcadas pelo discurso científico.
PSICOLOGIA, MISTICISMO E PRÁTICAS NÃO
RECONHECIDAS
Mercado terapêutico heterogêneo em proliferação
desde as décadas de 60 e 70 - contracultura.
 A partir dos anos 90: preocupação e debates sobre
legitimidade, confiabilidade, resultados quando a
terapêutica passa a ser abordada por estas
práticas. Maior preocupação: delimitação de
fronteiras entre os campos de práticas. As
práticas não reconhecidas devem ser inscritas no
heterogêneo campo psi?
 Contemporaneidade:
crises nas esferas da
terapêutica e da religião indica necessidade de
questionamentos sobre limites.

PRÁTICAS NÃO RECONHECIDAS E REAÇÕES
DA SOCIEDADE
Até a década de 80: a perspectiva mais difundida
se voltava a práticas oraculares/divinatórias e de
autoconhecimento.
 A partir da década de 90: deslocamento de
perspectiva para a terapêutica, formação de
praticantes e relação com campos fronteiriços
(medicina, psicologia, curandeiros, religiosos).
 Este último fenômeno gerou repercussões na
opinião pública, grupos religiosos e classes
profissionais.
 O CFP – Conselho Federal de Psicologia
enquanto órgão representativo da profissão vem
propiciando debates de várias perspectivas:

O CFP DIANTE DAS PRÁTICAS NÃO
RECONHECIDAS
1990-1992: são identificadas pelo CFP. Reações
polarizadas: denunciativa (alertas à população) e
reflexiva (aberta à discussão).
 1993: CFP adota uma postura mais acirrada com
relação à tais práticas dentro da própria classe.
Três tendências internas são verificadas:
 Holística:
minimiza
fronteiras
epistemológicas em prol da fronteira
política;
 Ortodoxa:
sustenta a cientificidade do
saber psicológico.
 Problematizadora: do saber psicológico em
questão.
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O CFP DIANTE DAS PRÁTICAS NÃO
RECONHECIDAS
 Postura
problematizadora questiona os
parâmetros de legitimidade baseada em
dois argumentos:
• A pluralidade do saber psicológico
demanda
uma
flexibilidade
de
delimitação de seu campo.
•Saberes
marginais
anteriores
–
Psicanálise, p. ex. - foram reconhecidos
posteriormente.
O CFP DIANTE DAS PRÁTICAS NÃO
RECONHECIDAS
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1994 – I Congresso Nacional de Psicologia:
postura proibitiva e fiscalizadora. (Resolução de
05/1994 e 016/95 – veta ao psicólogo a
publicidade de algumas práticas em vinculação
com o título de psicólogo). Pouco resultado.
1996 – II Congresso Nacional de Psicologia:
Práticas não reconhecidas como tema central,
crítica ao papel fiscalizador do órgão e tentativa
de reverter este quadro. O CRP (Conselho
Regional de Psicologia da 4ª região – ES e MG)
elabora um documento preparatório para o
congresso que se posiciona a favor da discussão:
O CFP DIANTE DAS PRÁTICAS NÃO
RECONHECIDAS
“Num primeiro momento, parece-nos, a alternativa
encontrada pela autarquia foi excluir estas
práticas do campo da psicologia. No entanto, com
a inclusão deste tema no II Congresso Nacional
de Psicologia estão abertas novas possibilidades
de posicionamento. Para isso, estamos
convocados a discutir nacionalmente em um
espaço onde as alternativas para conduzir esta
questão venham das bases e não impostas pela
autarquia” (CRP, 1996, p. 4).
O CFP DIANTE DAS PRÁTICAS NÃO
RECONHECIDAS
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Resolução 1996 – promove a ampliação do debate:
“O Conselho não é um órgão de validação e de
reconhecimento de técnicas. Tem função de
normalizar o exercício profissional, isto é, a
relação do profissional com a comunidade
científica, zelando pelos princípios e
compromissos da profissão. (...) O Conselho
deverá estimular e incentivar a comunidade
científica para a discussão e pesquisa das
diferentes práticas alternativas.” (CNP, 1996, p. 18).
O CFP DIANTE DAS PRÁTICAS NÃO
RECONHECIDAS
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1997 – Debate em BH: “A psicologia discute:
práticas alternativas ou emergentes?” Gerou
duas resoluções:
010/97 – Prática - critérios para divulgação, publicidade
e prática do profissional associado à praticas que não
estejam em acordo com os critérios científicos do campo
da psicologia. Permite a divulgação de práticas já
reconhecidas.
 011/97 – Pesquisa - dispõe sobre a realização de
pesquisas com métodos e técnicas não reconhecidas pela
psicologia é vedado o recebimento de honorários; a
população submetida ao procedimento deve estar
consciente desse fato.
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O CFP DIANTE DAS PRÁTICAS NÃO
RECONHECIDAS
Continuam as fiscalizações dos CRP’s, agora com
uma perspectiva orientadora.
 Muitos psicólogos continuam anunciando sua
atividade profissional vinculada a técnicas não
reconhecidas.
 Sobre isso, o conselho orienta:
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O CFP DIANTE DAS PRÁTICAS NÃO
RECONHECIDAS
São cursos e terapias sem qualquer respaldo
científico e sem esclarecimento de que não são
prestados por profissionais de psicologia. (...). Em
Minas e no Espírito Santo, como em todo o país,
cresce o número de cursos, terapias e propostas
de cura oferecidos por pessoas não habilitadas ao
exercício da profissão. (...). Nesse capítulo, o CRP04 não entrou no mérito das técnicas não
pertencentes à psicologia. O que se pretendeu foi
informar ao usuário que há uma distinção entre
os serviços prestados”
(Jornal do Psicólogo, n. 60, p. 4).
O CFP DIANTE DAS PRÁTICAS NÃO
RECONHECIDAS

Assim, as resoluções 010/97 e 011/97 do CFP não
regulamentam o alternativo, mas sim as
fronteiras já definidas do saber psicológico,
excluindo do seu campo de ação as técnicas
alternativas.
REFERÊNCIAS
TAVARES, Fátima. Legitimidade Terapêutica no
Brasil Contemporâneo: As Terapias Alternativas
no Âmbito do Saber Psicológico. In: PHYSIS: Rev.
Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 13(2):83-104,
2003.
 BOCK, A. M. B. Psicologias: Introdução ao estudo
da psicologia. 14 ed. São Paulo: Vozes, 2009.
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