REUNIÃO S1 DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

Report
CONCEITUANDO DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E
DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
PROGRAMAS ENSINO
FUNDAMENTAL E PAIEPAR
ABRIL/2013
“Existe uma estória que foi construída em torno da dor da diferença: a
criança que se sente não bem igual às outras, por alguma marca no seu
corpo, na maneira de ser...
Esta, eu bem sei , é estória para ser contada também para os pais.
Eles também sentem a dor dentro dos olhos. Alguns dos diálogos foram
tirados da vida real.
Ela lida com algo que dói muito: não é a diferença em si mesma, mas o
ar de espanto que a criança percebe nos olhos dos outros [...]
O medo dos olhos dos outros é sentimento universal.
Todos gostaríamos de olhos mansos.
A diferença não é resolvida de forma triunfante , como na estória do
Patinho Feio.
O que muda não é a diferença. São os olhos...”
Rubem Alves, 1987
Conceito, características, classificação
A Deficiência Intelectual refere-se a um estado de
funcionamento atípico, no seio da comunidade,
manifestando-se logo na infância em que as
limitações
do
funcionamento
intelectual
(inteligência) coexistem com as limitações no
comportamento adaptativo. (Carvalho,1997, p.27)
Segundo a Associação Americana de Deficiência Mental
(AAMR) e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos
Mentais (DSM-IV), Deficiência Intelectual ou Deficiência
Mental (DM – como não é mais chamada) é o estado de
redução
notável
do
funcionamento
intelectual,
significativamente abaixo da média, oriundo no período de
desenvolvimento (até os 18 anos), e associado à limitações
de pelo menos dois aspectos do funcionamento adaptativo
ou da capacidade do indivíduo em responder
adequadamente às demandas da sociedade em
comunicação, cuidados pessoais, competências domésticas,
habilidades sociais, utilização dos recursos comunitários,
autonomia, saúde e segurança, aptidões escolares, lazer e
trabalho.
Deficiência ou retardo mental eram os termos mais utilizados
antigamente; porém, devido ao fato de serem associados
muitas vezes de forma errônea a outras condições médicas,
como doenças psiquiátricas, o termo “ deficiência intelectual”
passou a ser considerado mais apropriado.
Muitas pessoas com Deficiência Intelectual não apresentam
limitações em todas as áreas adaptativas do desenvolvimento e,
portanto, não precisam de apoio nas áreas não afetadas.
Então, um diagnóstico poderia ser expresso da seguinte forma:
“uma pessoa com deficiência intelectual que necessita de apoios
limitados em habilidades de comunicação ”. (id.,p.1)
Causas da Deficiência Intelectual
Muitas vezes não é possível, ainda, estabelecer com clareza a causa da deficiência
intelectual, mas alguns fatores que podem dar á mesma, podem ser apontados:
Causas Pré Natais:
Estes fatores incidem desde a concepção do bebê até o início do trabalho de parto:
Desnutrição materna;
Má assistência médica à gestante;
Doenças infecciosas: sífilis, rubéola, toxoplasmose;
Fatores tóxicos: alcoolismo, consumo de drogas, efeitos colaterais de remédios
(medicamentos teratogênitos afetam a estrutura e o desenvolvimento da
anatomia), poluição ambiental e tabagismo;
Fatores genéticos: alterações cromossômicas (numéricas ou estruturais),
ex. : Síndrome de Down, Síndrome de Marin Bell ,alterações gênicas, como erros
inatos do metabolismo (fenilcetonúria, Síndrome de Willians, Esclerose Tuberos,
etc.
Causas perinatais:
Estes fatores incidem do início do trabalho de parto até o 30º dia
de vida do bebê:
-má assistência ao parto e traumas de parto;
hipóxia ou anóxia (oxigenação cerebral insuficiente);
prematuridade e baixo peso (PIG - Pequeno para Idade
Gestacional);
icterícia grave do recém nascido - kernicterus
(incompatibilidade RH/ABO).
Causas pós-natais:
Estes fatores incidem do 30º dia de vida do bebê até o final da
adolescência.
desnutrição, desidratação grave, carência de estimulação global;
infecções: meningoencefalites, sarampo, etc;
intoxiações exógenas (envenenamento) por remédios,
inseticidas, produtos químicos (chumbo, mercúrio);
acidentes: trânsito, afogamento, choque elétrico, asfixia,
quedas, etc;
infestações: neurocisticircose (larva da taenia solium,
popularmente chamada de solitária).
O atraso no processo de desenvolvimento das pessoas com deficiência
intelectual, pode ser constatado no nível neuro-psicomotor, quando a
criança demora para firmar a cabeça, sentar, andar, falar. Pode ainda
acontecer no aprendizado, com notável dificuldade de compreensão de
normas e ordens, dificuldade no aprendizado escolar. Mas, é preciso que
haja vários sinais para que se suspeite de deficiência intelectual e, de modo
geral, um único aspecto não pode ser considerado indicativo de qualquer
deficiência. A avaliação da pessoa deve ser feita considerando sua
totalidade.
Numerosos
fatores
emocionais,
alterações de certas atividades
nervosas
superiores,
alterações
específicas de linguagem ou dislexia,
psicoses, baixo nível sócio econômico
ou cultural, carência de estímulos e
outros elementos podem estar na
base
da
impossibilidade
do
ajustamento
social
adaptativo
adequado,
sem
que
haja
necessariamente deficiência mental.
O desenvolvimento da pessoa com deficiência intelectual é de modo
geral mais lento. Demoram mais para desenvolver a marcha, podem
ter alterações quanto á coordenação motora fina, equilíbrio, locomoção..
Quanto à comunicação, podem
apresentar dificuldades tanto na
recepção quanto na emissão de
estímulos
lingüísticos.Vocabulário
restrito, uso de gestos como
complemento, tendência à ecolalia,
etc.
O transtorno em nível cognitivo, traz prejuízos e alteração no
desenvolvimento dos P.P.S (processos psíquicos superiores) , aqueles
que se relacionam com os simbolismos de segunda ordem , ou seja,
com o raciocínio, com o planejamento, a memória e a linguagem, oral
ou escrita .
Obviamente, que “não se pode traçar um perfil típico de
desenvolvimento
dessas
pessoas,
nem
características
padronizadas de sua personalidade ou de seu comportamento. A
forma como a criança cresce e se desenvolve depende de vários
fatores individuais, sociais e ambientais
Os indivíduos com déficit intelectual têm dificuldade para interagir
com o meio, mas é contraditoriamente através das interações
que têm possibilidades de se desenvolver . Não se reporta aqui
às interações diretas, entre o “eu” e o objeto, mas às interações
mediatizadas, possibilitadas pela linguagem.
IMPLICAÇÕES PARA O FAZER PEDAGÓGICO NO CASO DA
DEFICIÊNCIA INTELECTUAL
AS 10 (NEM TÃO) NOVAS COMPETÊNCIAS PARA SE
ENSINAR A PESSOA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL
1- CONHECER PARA ATUAR
2 - PLANEJAR PARA AGIR- Alice: _Poderia me dizer o
caminho que devo pegar para ir embora daqui? Gato: _
Depende para onde você quer ir. Alice: _ Não me importa
muito para onde. Gato: _ Então não importa que caminho
tome. Conversa de Alice com o gato in Alice no país das
maravilhas – Lewis Carroll
- “ ESTABELECER METAS A PARTIR DA AVALIAÇÃO
DIAGNÓSTICA E DO CONHECIMENTO DAS POSSIBILIDADES
DO INDIVÍDUO”
3 - USAR A CRIATIVIDADE –UTILIZAÇÃO DE
METODOLOGIAS
DIVERSIFICADAS FAVORECE A APRENDIZAGEM CONSIDERANDO-SE
OS DIFERENTES ESTILOS DE APRENDIZAGEM .
4- LANÇAR MÃO DE RECURSOS VARIADOS- ESTIMULAR A
CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA ,UTILIZAR JOGOS PEDAGÓGICOS,
UTILIZAR RECURSOS DE LEITURA E ESCRITA ,UTILIZAR
ATIVIDADES DE PSICOMOTRICIDADE, CONTEXTUALIZAR TODAS AS
ATIVIDADES
5- MANTER-SE MOTIVADO MESMO FRENTE À “PEQUENOS
GANHOS”
6- CONSTRUIR PROPOSTAS E AÇÕES COLETIVAMENTE
7- ENVOLVER TODOS OS ELEMENTOS EDUCATIVOS NO
PROCESSO
8 - ENVOLVER A COMUNIDADE EM GERAL
9 - ENVOLVER A FAMÍLIA EM TODAS AS ETAPAS DO
PROCESSO
10- AVALIAR O PROCESSO CONTINUAMENTE
O que é deficiência múltipla?
A deficiência múltipla é a ocorrência de duas ou mais
deficiências simultaneamente – sejam deficiências intelectuais,
físicas ou ambas combinadas. Não existem estudos que
comprovem quais são as mais recorrentes.
As causas podem ser pré-natais, por má-formação congênita e
por infecções virais como rubéola ou doenças sexualmente
transmissíveis.
Segundo a Associação Brasileira de Pais e Amigos dos Surdocegos e dos Múltiplos Deficientes Sensoriais (Abrapacem), o
modo como cada deficiência afetará o aprendizado de tarefas
simples e o desenvolvimento da comunicação do indivíduo
varia de acordo com o grau de comprometimento propiciado
pelas deficiências, associado aos estímulos que essa pessoa
vai receber ao longo da vida.
Tradicionalmente, os profissionais especializados e os familiares de
pessoas com múltipla deficiência focalizavam sua atenção no que
estas pessoas não podiam fazer, em suas desvantagens e
dificuldades. Atualmente temos uma postura diferente: preocupamonos em descobrir quais são as possibilidades que a criança apresenta
e quais são as suas necessidades, em vez de destacar suas
dificuldades. Assim, temos descoberto formas e métodos para atendêla.
UTOPIA
A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos,
ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o
horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe,
jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para
isso: para que eu não deixe de caminhar ” (Eduardo
Galeano).

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