Ucrania: como entender a crise

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Entrevista - Luiz Alberto Moniz
Bandeira
A Segunda Guerra Fria
À diferença do conflito original do
século XX, desta vez a briga não se
alimenta da ideologia, mas de
interesses estratégicos dos EUA e da
Rússia (carta capital)
A Guerra Fria ressuscitou?
A crise na Ucrânia, aguçada com a queda
do presidente pró-Rússia Viktor
Yanukovich em 22 de fevereiro, tem
muitos dos ingredientes da disputa
“capitalistas x comunistas” que rachou o
globo após a II Guerra Mundial.
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No sábado 1°, o parlamento russo
autorizou o presidente Vladimir
Putin a enviar tropas à Ucrânia para
defender instalações militares e
cidadãos russos naquele país, cuja
parte leste tem forte identidade
com Moscou.
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Desde os anos 90, diz o livro, os EUA dão
importância crescente à Eurásia, região onde está
a Ucrânia. Em 1994, o Departamento de Energia
norte-americano identificou o Mar Cáspio,
próximo da Ucrânia, como uma das maiores
fontes de petróleo do globo.
Uma baita descoberta para quem não sobrevive
sem petróleo importado. E mais ainda porque a
principal fonte conhecida, o Golfo Pérsico, é um
caldeirão de antiamericanismo islâmico. Dali em
diante, diz Moniz Bandeira, a prioridade
geopolítica dos EUA consistiu em atrair os
governos de países da região do Cáucaso, alguns
dos quais pertenciam à ex-URSS. Washington fez
isso inclusive mediante o envolvimento militar e
uma política de regime change, ou seja,
desestabilizando governos eleitos.
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Uma baita descoberta para quem não
sobrevive sem petróleo importado. E mais
ainda porque a principal fonte conhecida, o
Golfo
Pérsico,
é
um
caldeirão
de
antiamericanismo islâmico. Dali em diante,
diz Moniz Bandeira, a prioridade geopolítica
dos EUA consistiu em atrair os governos de
países da região do Cáucaso, alguns dos quais
pertenciam à ex-URSS. Washington fez isso
inclusive mediante o envolvimento militar e
uma política de regime change, ou seja,
desestabilizando governos eleitos.
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“ ... O economista Paul Craig Roberts, que foi
secretário assistente do Tesouro no governo
Reagan (1981-1989), escreveu que "a Ucrânia
ou a parte ocidental do país está cheia de
ONGs mantidas por Washington cujo
objetivo é entregar a Ucrânia às garras da
União Europeia, para que os bancos da União
Europeia e dos Estados Unidos possam
saquear o país como saquearam, por exemplo,
a Letônia; e simultaneamente enfraquecer a
Rússia, roubando-lhe uma parte tradicional e
convertendo esta área em área reservada para
bases militares de Estados Unidos-OTAN".
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“ ... Não se trata de "ameaça".
Nenhum
país,
evidentemente,
ameaça os EUA. O problema é que
o governo da Ucrânia não atende e
não se submete aos interesses
econômicos,
geopolíticos
e
estratégicos de Washington...”
“... O problema é a rivalidade dos
EUA com a Rússia. A questão não é
ideológica. É geoestratégica...”

”...Não há nenhum padrão de intervenção nãoviolenta dos EUA no pós-Guerra Fria. Os EUA
intervém militarmente, de forma unilateral ou
sob o manto da OTAN, quando podem.
Intervieram na Líbia, mas não tiveram condições
de fazê-lo na Síria, devido à oposição da Rússia e
da China, embora continuem a financiar os
rebeldes - na realidade, terroristas de Al Qa'ida e
organizações similares. A guerra fria, portanto,
continua, em uma etapa histórica superior, como
demonstram os acontecimentos na Ucrânia, na
Síria e nos demais países do Oriente Médio. Os
EUA não deixaram de perceber a Rússia como seu
principal adversário. De fato, a Rússia não
perdeu, militarmente, nenhuma guerra...”
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“...Como sucessora jurídica da URSS, a Rússia
herdou todo o seu potencial militar: cerca de
1.800
ogivas
nucleares
estratégicas
operacionais e reservas de 2.700 ogivas, contra
1.950 ogivas operacionais e 2.500 ogivas de
reserva dos EUA. O poderio militar das duas
potências era equivalente...”
“... A guerra fria reacendeu em 2013, uma vez
que o governo recuou nas negociações para
incorporar o país à União Europeia, o que
podia abrir as portas para o estacionamento
de tropas da OTAN dentro do seu território,
conforme os EUA pretendem...”

Os chamados "ativistas" e "democratas" que
fomentaram as demonstrações pro-União
Europeia pertencem, em larga medida, a
comandos do Svoboda e de outras tendências
neonazistas e não escondem suas tendências
xenófobas, racistas, anti-semitas e contra a
Rússia. E foram com eles que os senadores
americanos John McCain e Christopher
Murphy se misturaram nas demonstrações
contra
o
governo
Yanukovych,
democraticamente eleito e derrubado por um
golpe, sob os aplausos dos EUA e da União
Europeia. É muito provável que tais grupos
neonazistas intentem a captura do poder em
Kiev. Porém será difícil submeter a Crimeia.

A Rússia não jogou todas as suas cartas. O
presidente Putin, que se revela o maior
estadista da atualidade, sabe muito bem como
dispor e lançar as pedras no xadrez da política
internacional. Formado na KGB e havendo
servido durante muitos anos na Alemanha
Oriental, principal teatro do conflito LesteOeste, conhece muito bem como funciona
a guerra nas sombras. A Ucrânia continuará
ainda como cenário da segunda guerra fria e
certamente
a
Rússia
não
aceitará,
passivamente, que se integre na União
Europeia.
Haverá
negociações
ou
derramamento de sangue. Quem viver verá.
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http://noticias.uol.com.br/internacional/listas
/10-links-para-entender-a-crise-na-ucrania-esuas-possiveis-consequencias.htm
http://www.cartacapital.com.br/internacional
/a-segunda-guerra-fria-4728.html

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