Antecedentes da Semana de Arte Moderna - analu

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Antecedentes da Semana de Arte
Moderna: a visualidade brasileira no
início do século XX
Aula 2
História da Arte no Brasil
Prof.ª Dda. Ana Luiza B. Guimarães
Resumo esquemático
Para se entender o processo do movimento modernista
brasileiro é necessário olhar para o contexto das duas
primeiras décadas do século: ainda muito presos ao
academicismo e às influências francesas da belle
époque, alguns jovens de São Paulo, intelectuais e
artistas começam a sentir a necessidade de uma
atualização das artes, ao mesmo tempo que uma busca
de identidade nacional, através do retorno às raízes
culturais do país. Estes anseios de modernização e de
nacionalismo são desencadeados pela Primeira Guerra e
pela proximidade dos festejos do primeiro centenário da
Independência. As informações fragmentadas sobre as
vanguardas vindas da Europa vão confluir com esta
necessidade de renovação. Alguns eventos e exposições
marcam este período e antecedem a eclosão do
Modernismo Brasileiro, com a Semana de Arte Moderna
de 1922
A Arte antes... Padrões da pintura
acadêmica
Pedro Américo de Figueiredo e Melo
Vitor Meireles de Lima
José Ferraz de Almeida Júnior
E em 1913... Um lituano expõe...
• A exposição de Lasar
Segall, em 1913, apesar
de não causar muita
repercussão, vai sinalizar
contatos com as
vanguardas alemãs A
exposição de Lasar Segall,
em 1913, apesar de não
causar muita repercussão,
vai sinalizar contatos com
as vanguardas alemãs
A Família
Família
Aldeia Russa
Gente nossa...
• Anita Malfatti (1889 – 1964):
Pintora, desenhista, gravadora,
ilustradora e professora. Inicia
seu aprendizado artístico com
a mãe Betty Malfatti.
• Devido a uma atrofia
congênita no braço e na mão
direita, utiliza a mão esquerda
para pintar.
• Incentivada pela família foi,
em 1910, para a Alemanha,
onde freqüentou, por três
anos, a Academia Real de
Berlim. Estudou gravura,
desenho e pintura, além de
conhecer os principais mestres
do expressionismo alemão
• Anita Malfatti (1889 – 1964):
Pintora, desenhista, gravadora,
ilustradora e professora. Inicia
seu aprendizado artístico com
a mãe Betty Malfatti.
• Devido a uma atrofia
congênita no braço e na mão
direita, utiliza a mão esquerda
para pintar.
• Incentivada pela família foi,
em 1910, para a Alemanha,
onde freqüentou, por três
anos, a Academia Real de
Berlim. Estudou gravura,
desenho e pintura, além de
conhecer os principais mestres
do expressionismo alemão.
De volta ao Brasil, em 1914, realizou sua primeira exposição
individual
• Outra vez Anita,
pensava em partir
para continuar
seus estudos. Sem
condições, tentou
pleitear o
Pensionato
Artístico do estado
de São Paulo, bolsa
do governo.
Em 1915, a artista parte para mais um período de estudos
•
•
•
Desta vez nos Estados Unidos, onde tem aulas
com Homer Boss (1882 - 1956) na Independent
School of Art. A convivência com este professor
americano e com o clima vanguardista da escola
irá levar adiante o desenvolvimento da
liberdade moderna cultivada na Alemanha. É aí
que ela realiza seus trabalhos mais conhecidos,
como O Farol (1915), Torso/Ritmo (1915/1916)
e O Homem Amarelo (1915/1916). Nesses
quadros, o desenho perde o compromisso com
a verossimilhança clássica e ganha sentido mais
interpretativo. Por vezes, o contorno grosso e
sinuoso apresenta as figuras como uma massa
pesada e volumosa. Em outros trabalhos, com o
traço mais fechado, a cor é aplainada e compõe
retratos e paisagens livres, pela articulação de
superfícies em cores contrastantes.
Em 1916, Anita volta ao Brasil, voltara depois de
3 anos e meio devido aos rumores de guerra
próxima
Anita Malfatti, Ritmo (Torso), 1915/16, carvão
e pastel 61x46,6 cm. Coleção. (MAC_USP, SP)
1)Anita Malfatti, O farol, 1915 óleo s/ tela, 46,5x61 cm coleção (Gilberto Chateaubriand)
2) O farol de Monhegan em fotografia realizada por volta de 1859.
O Concurso do Saci...
• Visando incentivar a população a
valorizar hábitos e costumes
nacionais, no inicio de 1917,
Lobato levava adiante um
“inquérito nacional sobre o Saci”,
através do Estadinho. Chegavam
depoimentos de todo Brasil e
eram publicados no Jornal, com
as versões existentes em diversas
regiões do Brasil sobre o sacipererê, sua figura, suas diabruras
típicas, sua características.
O saci, Anita Malfatti, óleo, que participou do concurso do Saci
em 1917
• Anita apresentou a
aparição do saci que
espanta um
cavaleiro solitário.
Colocou em
primeiro plano o
cavaleiro e seu
cavalo numa estrada
poeirante ladeada
por uma moita de
bambus de onde
pende, informe, o
saci.
• Vencedor do Concurso: Ricardo Cipicchia, O saci e a
cavalhada, 1917.
Exposição de 1917
• Nesta exposição, a pintora
restringiu-se aos trabalhos feitos
depois de 1914, isto é, os
pintados nos estados Unidos e
aos recentes pintados no Brasil.
Anita não negava sua fase norteamericana: queria impô-la e vê-la
aceita como valor artístico. Talvez
por isso absteve-se de colocar
muitas obras demasiado
“provocativas”, como os carvões e
pastéis de Nu masculino ou óleos
como Nu cubista e A boba.
(Tropical)
A Estudante
•
A Onda , 1915 - 1917 óleo sobre tela, c.i.d. 26,5 x 36 cm Coleção Sergio Sahione Fadel
Reprodução fotográfica Leonardo Crescenti
O homem amarelo, 1915/16, óleo
sobre tela, 61 x 51 cm, Coleção.
(Família Andrade Camargo)
Mulher de cabelos verdes, 1915,
óleo sobre tela, 61x51 cm,
Coleção. Ernesto Wolf, SP (2002)
.
“Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que vêm as coisas e em consequência fazem
arte pura, guardados os eternos ritmos da vida, e adotados, para a concretização das emoções
estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres.
A outra espécie é formada dos que vêm anormalmente a natureza e a interpretam à luz das
teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da
cultura excessiva. São produtos do cansaço e do sadismo de todos os períodos de decadência; são
frutos de fim de estação, bichados ao nascedouro. Estrelas cadentes, brilham um instante, as mais
das vezes com a luz do escândalo, e somem-se logo nas trevas do esquecimento.
Embora se deem como novos, como precursores de uma arte a vir, nada é mais velho do que a
arte anormal ou teratológica: nasceu como a paranoia e a mistificação.
De há muito que a estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros
desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios.
A única diferença reside em que nos manicômios essa arte é sincera, produto lógico dos
cérebros transtornados pelas mais estranhas psicoses; e fora deles, nas exposições públicas
zabumbadas pela imprensa partidária mas não absorvidas pelo público que compra, não há
sinceridade nenhuma, nem nenhuma lógica, sendo tudo mistificação pura.
Estas considerações são provocadas pela exposição da sra. Malfatti, onde se notam
acentuadíssimas tendências para uma atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de
Picasso & Cia.
Sejamos sinceros: futurismo, cubismo, impressionismo e tutti quanti não passam de outros
ramos da arte caricatural. É a extensão da caricatura a regiões onde não havia até agora penetrado.
Caricatura da cor, caricatura da forma – mas caricatura que não visa, como a verdadeira, ressaltar
uma ideia, mas sim desnortear, aparvalhar, atordoar a ingenuidade do espectador.”
O recuo de Anita Malfatti
• Depois da exposição de 1917, ela se aproxima da linguagem
tradicional e faz aulas com o acadêmico Pedro Alexandrino
(1856 - 1942). Seus trabalhos também se tornam mais
realistas. Encorajada pelo grupo que iria realizar a Semana de
Arte Moderna, como Menotti Del Pichia (1892 - 1988), Oswald
de Andrade (1890 - 1954) e Mário de Andrade (1893 - 1945),
Anita, por volta de 1921, interessa-se novamente pelas
linguagens de vanguarda.
• Na Semana de Arte Moderna de São Paulo, em 1922, a artista
expõe novamente as telas mostradas em 1917 junto com
novos trabalhos modernistas, sendo considerada por Sérgio
Milliet (1898 - 1966) a maior artista da exposição. Conforme
Itaú Cultural.
•
Porto de Mônaco, 1925/26 óleo sobre tela, 54 x 64,5 cm. Colecionador (Franscisco Matarazzo)
•
Retrato de Dora 1934 Óleo s/ tela, 73 x 60,3 cm. Coleção. (Dora Villava)
•
La rentrée (interior) 1925, óleo sem tela 88x115 cm coleção
Pedro Tassinari, São Paulo.
Enquanto isso...
•
Na década de 20 a produção de Victor
Brecheret, dá a escultura brasileira
aspecto mais moderno. Suas obras
afastam-se da imitação de um modelo real
e ganham expressão por meio de volumes
geometrizados, delimitados por linhas
sintéticas e de poucos detalhes.
•
Inicialmente estudou no Liceu de Artes e
Ofícios de São Paulo. Em 1913 vai para a
Europa aperfeiçoar-se no aprendizado da
escultura.
•
Em 1916, em Roma, participou da
Exposição Nacional de Belas Artes com a
obra “Despertar”, onde obteve o primeiro
lugar, dando início a carreira de escultor.
• Volta ao Brasil em 1919 e recebe críticas elogiosas na imprensa
ao seu trabalho.
• Em 1920 apresentou a maquete do Monumento às Bandeiras
(com 50 m de comprimento, 16 m de largura, 10 m de altura e
37 figuras) Hoje encontra-se localizada no Parque Ibirapuera em
São Paulo, foi iniciada em 1936 e inaugurada em 25 de janeiro
de 1953.
Sepultamento
túmulo da família Guedes Penteado, premiada no Salon d'Automne de 1923, em Paris. Cemitério da Consolação, São Paulo.
Tocadora de Guitarra
1933

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