Slide 1 - Profª Jaqueline Borges

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CIES – 2011
BARROCO E ARCADISMO NO BRASIL
BARROCO

O barroco se desenvolve após o processo de Reformas Religiosas, ocorrido no
século XVI, a Igreja Católica havia perdido muito espaço e poder. Mesmo assim, os
católicos continuavam influenciando muito o cenário político, econômico e religioso
na Europa. A arte barroca surge neste contexto e expressa todo o contraste deste
período: a espiritualidade e teocentrismo da Idade Média com o racionalismo e
antropocentrismo do Renascimento.

Os artistas barrocos foram patrocinados pelos monarcas, burgueses e pelo clero. As
obras deste período são rebuscadas, detalhistas e expressam as emoções da vida e
do
ser
humano.
A palavra barroco tem um significado que representa bem as características deste
estilo. Significa “pérola irregular” ou "pérola deformada" e representa de forma
pejorativa a idéia de irregularidade.

O período final do barroco (século XVIII) é chamado de rococó e possui algumas
peculiaridades, embora as principais características do barroco estão presentes
nesta fase. No rococó existe a presença de curvas e muitos detalhes decorativos
(conchas, flores, folhas, ramos). Os temas relacionados à mitologia grega e romana,
além dos hábitos das cores também aparecem com freqüência.

Na arte barroca, predominam as emoções e
não o racionalismo da arte renascentista. O
estilo barroco traduz a tentativa angustiante de
conciliar forças antagônicas; bem e mal; céu e
terra; pureza e pecado; alegria e tristeza;
espírito e matéria.
AS MENINAS - VELÁSQUEZ
LIÇÃO DE ANATOMIA - REMBRANDT
MERISI CARAVAGGIO - MICHELANGELO
CARACTERÍSTICAS DO BARROCO



Culto do contraste: o dualismo barroco coloca em contraste a
matéria e o espírito, o bem e o mal, Deus e o Diabo, céu e a terra,
pureza e o pecado, a alegria e a tristeza, a vida e a morte.
Consciência da transitoriedade da vida: a idéia de que o tempo
consome, tudo leva consigo,e que conduz irrevogavelmente a
morte, reafirma os ideais de humildade e desvalorização dos
bens materiais, ou seja sem apego aos bens materiais.
Gosto pela grandiosidade: característica comum expressa com o
auxilio de hipérboles, ou seja exageros, figura de linguagem que
consiste em aumentar exageradamente algo a que se estar
referindo.
CARACTERÍSTICAS DO BARROCO



Frases interrogativas: que refletem dúvidas e incertezas,
questionamentos: “que amor sigo? Que busco? Que desejo?
O que quero da vida?
Cultismo: é o jogo de palavras, o estilo trabalhado.
Predominam hipérbole, hipérbatos (isto é, alteração da
ordem natural das palavras na frase ou das orações no
período) e metáforas (comparações), como: diamantes que
significam dentes ou olhos.
Conceptismo: é o jogo de idéias ou conceitos, de
conformidade com a técnica de argumentação. É comum o
uso de antítese, ou seja idéias contrárias, paradoxos.
enquanto os cultistas tinham a visão direcionada aos
sentidos, já os conceptistas eram direcionados a
inteligência.
LITERATURA BARROCA



O movimento brasileiro, influenciado pelo barroco português,
apresentou suas próprias características, pois diferente da realidade
portuguesa de luxo e pompa da aristocracia, o Brasil vivia uma
realidade de violência, em que se perseguiam os índios e
escravizavam os negros.
No Brasil, o barroco ganhou impulso entre 1720 e 1750, momento
em que várias academias literárias foram fundadas por todo o país.
O centro de riqueza da época era Minas Gerais, e foi lá que a
produção artística, ligada à igreja, se concentrou. O arquiteto,
entalhador e escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, foi o
grande representante dessa tendência nas artes plásticas, o estilo
rococó predominava em suas esculturas de materiais típicos
nacionais, como a madeira e pedra-sabão.
BARROCO NO BRASIL


A publicação da obra Prosopopéia (1601), de Bento Teixeira, inicia o Barroco no
Brasil. Esse é um poema épico, de estilo cancioneiro que procura imitar Os
Lusíadas.
Os escritores que mais se destacaram foram:
Na poesia:
- Gregório de Matos
- Bento Teixeira
- Botelho de Oliveira
- Frei Itaparica
Na prosa:
- Pe. Antônio Vieira
- Sebastião da Rocha Pita
- Nuno Marques Pereira.
GREGÓRIO DE MATOS

Gregório de Matos é o maior poeta barroco brasileiro, sua obra permaneceu
inédita por muito tempo, suas obras são ricas em sátiras, além de retratar a
Bahia com bastante irreverência, o autor não foi indiferente à paixão
humana e religiosa, à natureza e reflexão.
As obras desse escritor são divididas de acordo com a temática: poesia
lírica religiosa, amorosa e filosófica.
- A lírica religiosa: explora temas como o amor a Deus, o arrependimento, o
pecado, apresenta referências bíblicas através de uma linguagem culta,
cheia de figuras de linguagem. Veja que no exemplo a seguir o poeta
baseia-se numa passagem do evangelho de S. Lucas, quando Jesus Cristo
narra a parábola da ovelha perdida e conclui dizendo que “há grande
alegria nos céus quando um pecador se arrepende”:
LÍRICA RELIGIOSA
A JESUS CRISTO NOSSO SENHOR
Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
da vossa alta clemência me despido;
porque, quanto mais tenho delinqüido,
vos tenho a perdoar mais empenhado.
Se basta a vos irar tanto pecado,
a abrandar-vos sobeja um só gemido:
que a mesma culpa, que vos há ofendido
vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma ovelha perdida, e já cobrada
glória tal e prazer tão repentino
vos deu, como afirmais na sacra história,
eu sou Senhor, a ovelha desgarrada,
cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
perder na vossa ovelha, a vossa glória.
(Gregório de Matos)
LÍRICA AMOROSA

- A lírica amorosa: é marcada pela dualidade
amorosa entre carne/espírito, ocasionando um
sentimento de culpa no plano espiritual.
ROMPE O POETA COM A PRIMEIRA IMPACIÊNCIA QUERENDO
DECLARAR-SE E TEMENDO PERDER POR OUSADO

Anjo no nome, Angélica na cara,
Isso é ser flor, e Anjo juntamente,
Se Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, senão em vós se uniformara?
Quem veria uma flor, que a não cortara
De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus, o não idolatrara?
Se como Anjo dos meus altares,
Fôreis o meu custódio, e minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.
Mas vejo, que tão bela, e tão galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.
LÍRICA FILOSÓFICA
- A lírica filosófica: os textos fazem referência à desordem
do mundo e às desilusões do homem perante a
realidade.
Em virtude de suas sátiras, Gregório de Matos ficou
conhecido como “O boca do Inferno”, pois o poeta não
economizou palavrões nem críticas em sua linguagem,
que além disso era enriquecida com termos indígenas e
africanos.
LÍRICA FILOSÓFICA

Soneto
A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana, e vinha,
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.
Em cada porta um freqüentado olheiro,
Que a vida do vizinho, e da vizinha
Pesquisa. Escuta, espreita, e esquadrinha,
Para levar à Praça, e ao Terreiro.
Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos pelos pés os homens nobres,
Posta nas palmas toda picardia.
Estupendas usuras nos mercados,
Todos, os que não furtam, muito pobres,
E eis aqui a cidade da Bahia.
Nesse texto o poeta expõe os personagens que circulavam pela cidade de Salvador - conhecida como
Bahia- desde as mais altas autoridades até os mais pobres escravos
PADRE ANTONIO VIEIRA
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

O padre Vieira foi um grande e produtivo escritor do barroco em
língua portuguesa. Escreveu 200 sermões - entre os quais pode-se
destacar o "Sermão da Sexagésima" -, cerca de 500 cartas e
profecias que reuniu no livro "Chave dos Profetas", que nunca
acabou.
Um dos mais influentes personagens do século XVII em termos de
política e Oratória, destacou-se como missionário em terras
brasileiras. Nesta qualidade, defendeu infatigavelmente os direitos
humanos dos povos indígenas combatendo a sua exploração e
escravização e fazendo a sua evangelização. Era por eles chamado
de "Paiaçu" (Grande Padre/Pai, em tupi).
António Vieira defendeu também os judeus, a abolição da distinção
entre cristãos-novos (judeus convertidos, perseguidos à época pela
Inquisição) e cristãos-velhos (os católicos tradicionais), e a abolição
da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua
época e a própria Inquisição.
SERMÃO DA SEXAGÉSIMA
Pregado na Capela Real, no ano de 1655.
Semen est verbum Dei. S. Lucas, VIII, 11.
I
E se quisesse Deus que este tão ilustre e tão numeroso auditório saísse hoje tão desenganado da pregação,
como vem enganado com o pregador! Ouçamos o Evangelho, e ouçamo-lo todo, que todo é do caso que me levou
e trouxe de tão
longe.
Ecce exiit qui seminat, seminare. Diz Cristo que «saiu o pregador evangélico a semear» a palavra divina. Bem
parece este
texto dos livros de Deus. Não só faz menção do semear, mas também faz caso do sair: Exiit, porque no dia da
messe
hão-nos de medir a semeadura e hão-nos de contar os passos. O Mundo, aos que lavrais com ele, nem vos
satisfaz o que
dispendeis, nem vos paga o que andais. Deus não é assim. Para quem lavra com Deus até o sair é semear,
porque também das passadas colhe fruto.
Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear, há outros que semeiam sem sair. Os que saem a
semear são os que vão pregar à Índia, à China, ao Japão; os que semeiam sem sair, são os que se contentam
com pregar na Pátria. Todos terão sua razão, mas tudo tem sua conta. Aos que têm a seara em casa, pagar-lhesão a semeadura; aos que vão buscar a seara tão longe, hão-lhes de medir a semeadura e hão-lhes de contar os
passos. Ah Dia do Juízo! Ah pregadores! Os de cá, achar-vos-eis com mais paço; os de lá, com mais passos: Exiit
seminare.
ARCADISMO OU NEOCLASSICISMO
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O Arcadismo, de modo geral, foi influenciado pelo Século das Luzes,
chamado de Iluminismo. Esse movimento influenciou os pensamentos dos
intelectuais e ocasionou a pesquisa e análise do mundo pela perspectiva
da razão e da ciência. Assim, tudo era explicado ou por meio científico ou
por constatação de algo palpável.
Esse período de mudanças filosóficas compreende a segunda metade do
século XVIII, no qual a Europa estava dominada economicamente pela
burguesia.
Enquanto isso, no Brasil, o século do ouro desponta e cresce
extraordinariamente, com a mudança do pólo econômico da região
Nordeste para o Rio de Janeiro e, principalmente, para Minas Gerais. É este
estado que irá servir de cenário para os diversos acontecimentos
marcantes da história, além da mineração, a Inconfidência, o caso de
Tiradentes, o artista Aleijadinho.
CARACTERÍSTICAS DO ARCADISMO

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O nome originou-se de uma região grega chamada Arcádia (morada
do deus Pan).
Os poetas desta escola literária escreviam sobre as belezas do
campo, a tranquilidade proporcionada pela natureza e a
contemplação da vida simples. Portanto, desprezam a vida nos
grandes centros urbanos e toda a vida agitada e problemas que as
pessoas levavam nestes locais. Os poetas arcadistas chegavam a
usar pseudônimos (apelidos) de pastores latinos ou gregos.
As principais características das obras do arcadismo brasileiro são:
valorização da vida no campo, crítica a vida nos centros urbanos
(fugere urbem = fuga da cidade), uso de apelidos, objetividade,
idealização da mulher amada, abordagem de temas épicos,
linguagem simples, pastoralismo e fingimento poético.
ARCADISMO NO BRASIL
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O estilo literário árcade no Brasil tem início com a publicação das
Obras poéticas de Cláudio Manuel da Costa, em 1768 e se estende
até 1836 com a obra Suspiros poéticos e saudades de Gonçalves
Magalhães, a qual inaugura o Romantismo.
Os poetas árcades encontram inspiração nas terras mineiras,
principalmente Vila Rica-Ouro Preto, cenário de suas poesias; e
também refúgio, não nos filósofos iluministas como Voltaire e
Montesquieu, voltados para a política e moral, mas em Horácio que
se prendia em pensamentos como “fugere urbem” (fugir da cidade)
e “carpe diem” (gozar o dia). Daí o Arcadismo ser conhecido pela
exaltação da natureza e pelo bucolismo.
A escola literária árcade é caracterizada por uma produção voltada
ao lirismo amoroso e à Épica:
Lirismo amoroso - Tomás Antônio Gonzaga e Silva Alvarenga
Épica - Santa Rita Durão e Basílio da Gama, respectivamente.
CONTEXTO HISTÓRICO
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Aquela época, mais precisamente, século XVIII, o Brasil ainda permanecia sob os
poderes da metrópole portuguesa, sofrendo assim com as terríveis consequências
oriundas dessa forte submissão. Uma delas, por sinal bastante significativa, era a
cobrança de altas e abusivas taxas pelo rei de Portugal, sem contar que o ouro já
demonstrava sinais de escassez, e mesmo assim a situação ainda insistia em
perdurar.
Em meio a esse clima de insatisfação, gerado pela revolta do povo, principalmente
em se tratando de alguns fazendeiros e donos de minas que queriam pagar menos
impostos e ter mais participação na vida política do país, um grupo de intelectuais
recém-formados na Europa, mais precisamente em Coimbra, traziam de lá as ideias
iluministas que naquele continente (europeu) fervilhavam. De tal modo, ansiavam
cada vez mais que o Brasil se tornasse independente de Portugal. Anseios estes que
culminaram na Inconfidência Mineira (1789), liderada pelo alferes José da Silva
Xavier, mais conhecido como Tiradentes, em companhia dos poetas Cláudio Manuel
da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Inácio de Alvarenga, entre outras importantes
figuras da elite mineira, cujas ideias eram implantar no Brasil um sistema
republicano de governo. Chegaram até a implantar uma bandeira para a nação
constituída dos seguintes dizeres latinos:
LIBERDADE ANTES QUE TARDIA
CONTEXTO HISTÓRICO
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A conspiração foi desmantelada em 1789, ano da Revolução Francesa. O movimento foi
traído por Joaquim Silvério dos Reis, que fez a denúncia para obter perdão de suas dívidas
com a Coroa.
Em 18 de Abril de 1792 foi lida a sentença no Rio de Janeiro. Doze dos inconfidentes foram
condenados à morte. Mas, em audiência no dia seguinte, foi lido decreto de D. Maria I pelo
qual todos, à exceção de Tiradentes, tiveram a pena comutada para degredo em colônias
portuguesas na África.
Tiradentes, o conjurado de mais baixa condição social, foi o único condenado à morte por
enforcamento, sendo a sentença executada publicamente a 21 de abril de 1792 no Campo
da Lampadosa. Outros inconfidentes haviam sido condenados à morte, mas tiveram suas
penas reduzidas para degredo, na segunda sentença. A casa onde ele viveu foi destruída.
Após a execução, o corpo foi levado em uma carreta do Exército para a Casa do Trem (hoje
parte do Museu Histórico Nacional), onde foi esquartejado. O tronco do corpo foi entregue à
Santa Casa de Misericórdia, sendo enterrado como indigente. A cabeça e os quatro pedaços
do corpo foram salgados, para não apodrecerem rapidamente, acondicionados em sacos de
couro e enviados para as Minas Gerais, sendo pregados em pontos do Caminho Novo onde
Tiradentes pregou suas ideias revolucionárias. A cabeça foi exposta em Vila Rica (atual Ouro
Preto), no alto de um poste defronte à sede do governo. O castigo era exemplar, a fim de
dissuadir qualquer outra tentativa de questionamento do poder da metrópole.
CLÁUDIO MANUEL DA COSTA
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Cláudio Manuel da Costa é considerado um dos maiores poetas brasileiros do
período colonial.
Em Portugal, entrou em contato com as ideais iluministas e iniciou a sua carreira
literária publicando, em opúsculos, pelo menos três poemas: "Munúsculo métrico",
"Labirinto de Amor" e "Epicédio". Em todos os trabalhos, a característica poética do
Barroco seiscentista é evidente, nos cultismos, conceitismos e formalismos.
Em 1773, adotou o nome árcade de Glauceste Satúrnio.
Anos mais tarde, participou, ao lado de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes,
Inácio José de Alvarenga Peixoto e outros, da Inconfidência Mineira. Na mesma
época, compôs o clássico poema "Vila Rica", pronto em 1773, mas publicado
somente em 1839, em Ouro Preto, 50 anos após a sua morte. A poesia descreve a
saga dos bandeirantes paulistas no desbravamento dos sertões e suas lutas com os
emboabas indígenas, até a fundação da cidade de Vila Rica.
Contemporâneo da Arcádia Lusitana, Cláudio Manuel da Costa foi um poeta de
técnica apurada, um escritor que procurou equilibrar a sua forte vocação barroca ao
estilo neoclássico. O poeta mineiro também introduziu, em seus textos, elementos
locais, descrevendo paisagens e expressando um forte sentimento nacionalista.
CLÁUDIO MANOEL DA COSTA
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Trecho do poema Vila Rica, Canto VII
O conceito, que pede a autoridade,
Necessária se faz uma igualdade
De razão e discurso; quem duvida,
Que de um cego furor corre impelida
A fanática idéia desta gente?
Que a todos falta um condutor prudente
Que os dirija ao acerto? Quem ignora
Que um monstruoso corpo se devora
A si mesmo, e converte em seu estrago
O que pensa e medita? Ao brando afago
Talvez venha ceder: e quando abuse
Da brandura, e obstinados se recuse
A render ao meu Rei toda a obediência,
Então porei em prática a violência;
Farei que as armas e o valor contestem
O bárbaro atentado; e que detestem
A preço do seu sangue a torpe idéia.
SANTA RIDA DURÃO

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Frei José de Santa Rita Durão nasceu nas proximidades de Mariana,
Minas Gerais. Estudou com os jesuítas no Rio de Janeiro e doutorouse em Filosofia e Teologia por Coimbra. Entrou na ordem de Santo
Agostinho, mas durante a repressão do período pombalino, fugiu
para a Itália, onde levou uma vida de estudos, durante mais de 20
anos.
Depois de viver também na Espanha e na França, voltou a Portugal
com a "viradeira", como ficou conhecida a queda do Marquês de
Pombal e a restauração da monarquia tradicional.
A manifestação poética de Santa Rita Durão expressa o nativismo,
estampado na exaltação da paisagem brasileira, dos seus recursos
naturais, dos índios: seus costumes e suas tradições. Durão faz
referências a fatos históricos, do século 16 até sua época. Apesar do
retrocesso ao tipo de crônica informativa dos anos 1600, seu texto
pertence à corrente literária do Arcadismo e valoriza a vida natural e
simples, distante da corrupção.
SANTA RITA DURÃO



Durão também integra esse movimento cultural contra a
colonização. "O Caramuru" faz um balanço da colonização em meio a
uma descrição hiperbólica da natureza. Neste poema são exaltadas
a fé e a defesa da terra contra os invasores.
A estrutura do poema segue o modelo de Camões, formado por dez
cantos de versos decassílabos dispostos em estrofes fixas, as
oitavas, com esquema de rimas abababcc. Mas, como era de se
esperar para um membro do clero, o conservadorismo cristão
substituiu a mitologia pagã, uma característica épica.
"Caramuru" tem como subtítulo "Poema Épico do Descobrimento da
Bahia" e conta as aventuras de Diogo Álvares Correia, o Caramuru.
Entre outras personagens do poema estão Paraguaçu (com quem
Diogo se casou na França) e Moema (rival de Paraguaçu, que morreu
afogada quando perseguia o navio que levava o casal para a França).
CARAMURU
CARAMURU
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“- Bárbaro (a bela diz) tigre e não homem...
Porém o tigre, por cruel que brame,
Acha forças no amor, que enfim o domem;
Só a ti não domou, por mais que eu te ame.
Fúrias, raios, coriscos, que o ar consomem,
Como não consumis aquele infame?
Mas pagar tanto amor com tédio e asco...
Ah! Que corisco és tu...raio...penhasco”
(Trecho do Canto VI, onde narra a morte de
Moema)
BASÍLIO DA GAMA

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
José Basílio da Gama era filho do capitão-mor, Manuel da Costa Villas-Boas e de
uma neta de Leonel da Gama Belles, oficial da Colônia, de quem adotou o nome.
Estudou no Rio de Janeiro, no Colégio dos Jesuítas, mas com a expulsão da
Companhia de Jesus, já noviço, transferiu-se para o Seminário Episcopal de São
José.
Depois de passar por Coimbra e Lisboa, foi estudar em Roma, mas por ligações com
os jesuítas, acabou sendo julgado pelo Tribunal da Inquisição e recebendo a pena
de degredo em Angola. Depois, foi perdoado por Pombal, porque fez um "Epitalâmio"
à filha do Marquês, onde elogia o Ministro e ataca os jesuítas.
Participou da efervescência do Arcadismo português, revelando assim, seu talento
de poeta neoclássico, ao escrever poesias líricas e, especialmente, épica. Com O
Uraguai consegue a celebridade, ao reverter o esquema épico tradicional;
harmonizar a paisagem à ação épica, dando-lhe plasticidade, além de tratar os
indígenas como matéria poética, e não apenas informativa. Utiliza os versos da
tradição épica neolatina, o decassílabo, com o qual consegue efeitos sonoros e
imagéticos que reforçam os significados.
O URAGUAY

O poema é também um canto de
louvor à política de Pombal, com
dedicatória ao Ministro da
Marinha, Mendonça Furtado,
irmão do mesmo Marquês, que
trabalhou na demarcação dos
limites setentrionais entre Brasil
e América Espanhola, cumprindo
o Tratado de Madri. Desde modo,
acabou membro da Academia
Real das Ciências de Lisboa.
O URAGUAY
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O Uraguai, poema épico de 1769, critica drasticamente os jesuítas, antigos mestres do autor Basílio
da Gama. Ele alega que os jesuítas apenas defendiam os direitos dos índios para ser eles mesmos
seus senhores. O enredo em si, é a luta dos portugueses e espanhóis contra os índios e os jesuítas
dos Sete Povos das Missões. De acordo com o tratado de Madrid, Portugal e Espanha fariam uma
troca de terras no sul do país: Sete Povos das Missões para os espanhóis, e Sacramento para os
portugueses. Os nativos locais recusam-se a sair de suas terras, travando uma guerra. Foi escrito em
versos brancos decassílabos, sem divisão de estrofes e divididos em cinco cantos, e por muitos
autores, foi o início do Romantismo.
No Canto I, o poeta apresenta já o campo de batalha coberto de destroços e de cadáveres,
principalmente de indígenas, e, voltando no tempo, apresenta um desfile do exército luso - espanhol,
comandado por Gomes Freire de Andrada.
No Canto II, relata o encontro entre os caciques Sepé e Cacambo e o comandante português. Gomes
Freire de Andrada à margem do rio Uruguai. O acordo é impossível porque os jesuítas portugueses
se negavam a aceitar a nacionalidade espanhola. Ocorre então o combate entre os índios e as tropas
luso-espanholas. Os índios lutam valentemente, mas são vencidos pelas armas de fogo dos
europeus. Cepé morre em combate. Cacambo comanda a retirada.
No Canto III, o falecido Sepé aparece em sonho a Cacambo sugerindo o incêndio do acampamento
inimigo. Cacambo aproveita a sugestão de Sepé com sucesso. Na volta da missão Cacambo é
traiçoeiramente assassinado por ordem do jesuíta Balda, o vilão da história, que deseja tornar seu
filho Baldeta cacique, em lugar de Cacambo. Observa-se aqui uma forte crítica aos jesuítas.
O URAGUAY
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No Canto IV, o poeta apresenta a marcha das forças luso-espanholas sobre a aldeia dos índios,
onde se prepara o casamento de Baldeta e Lindóia. A moça, entretanto, prefere a morte. O
poema apresenta então um trecho lírico de rara beleza:
“Inda conserva o pálido semblante
Um não sei que de magoado e triste
Que os corações mais duros enternece,
Tanto era bela no seu rosto a morte!”

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Com a chegada das tropas de Gomes Freire, os índios se retiram após queimarem a aldeia.
No Canto V, o poeta expressa suas opiniões a respeito dos jesuítas, colocando-os como
responsáveis pelo massacre dos índios pelas tropas luso -espanholas. Eram opiniões que
agradavam ao Marquês de Pombal, o todo poderoso ministro de D. José I. Nesse mesmo canto
ainda aparece a homenagem ao general Gomes Freire de Andrada que respeita e protege os
índios sobreviventes.
Convém ressaltar que O Uraguai, além das características árcades, já apresenta, algumas
tendências românticas na descrição da natureza brasileira.
O URAGUAY
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CANTO PRIMEIRO
Fumam ainda nas desertas praias
Lagos de sangue tépidos e impuros
Em que ondeiam cadáveres despidos,
Pasto de corvos. Dura inda nos vales
O rouco som da irada artilheria.
MUSA, honremos o Herói que o povo rude
Subjugou do Uraguai, e no seu sangue
Dos decretos reais lavou a afronta.
Ai tanto custas, ambição de império!
E Vós, por quem o Maranhão pendura
CANTO SEGUNDO
Aqui não temos. Os padres faziam crer aos
índios que os
portugueses eram gente sem lei, que adoravam
o ouro.
Rios de areias de ouro. Essa riqueza
Que cobre os templos dos benditos padres,
Fruto da sua indústria e do comércio
Da folha e peles, é riqueza sua.
Com o arbítrio dos corpos e das almas
O céu lha deu em sorte. A nós somente
Nos toca arar e cultivar a terra,
Sem outra paga mais que o repartido
Por mãos escassas mísero sustento.
Por mãos escassas mísero sustento.
Podres choupanas, e algodões tecidos,
E o arco, e as setas, e as vistosas penas
São as nossas fantásticas riquezas.
Muito suor, e pouco ou nenhum fasto.
Volta, senhor, não passes adiante.
Que mais queres de nós? Não nos obrigues
A resistir-te em campo aberto. Pode
Custar-te muito sangue o dar um passo.
Não queiras ver se cortam nossas frechas.
Vê que o nome dos reis não nos assusta.
O teu está muito longe; e nós os índios
Não temos outro rei mais do que os padres.
Acabou de falar; e assim responde
O ilustre General: Ó alma grande,
Digna de combater por melhor causa,
Vê que te enganam: risca da memória
Vãs, funestas imagens, que alimentam
Envelhecidos mal fundados ódios.

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