EDUCAR OS JOVENS NA FÉ

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- Hoje, as pessoas já não se tornam cristãs mediante as
modalidades de socialização religiosa que foram válidas
por muitos séculos.
- Os canais de transmissão intergeracional foram
superados; a fé tornou-se uma opção profundamente
subjetiva, fruto da descoberta e da decisão pessoal.
- A situação de secularização, indiferença e desconfiança
através de uma cultura globalizada, marcada pela visão
materialista e individualista da vida.
Os jovens nos dizem que entre eles
não há uma verdadeira crise de
religiosidade e de busca de sentido.
Uma parcela notável de jovens sente a
necessidade de aprofundar a dimensão
da espiritualidade para encontrar
equilíbrio e harmonia pessoal num
mundo frenético, fragmentado e em
rápida evolução.
A dimensão religiosa tende a ser
relegada à esfera do privado e
absorvida pela lógica da satisfação das
necessidades individuais.
 religiosidade de uso individual, de
conforto pessoal; de consolação e não de
responsabilidade, que envolve o aspecto
emotivo e psicológico e age como uma
espécie de prurido espiritual, porque põe em
jogo os sentimentos, o envolvimento
emocional, mas transcura os valores que
servem para sustentá-la no tempo, como a
fidelidade, a constância, a coerência das
escolhas, a aceitação de responsabilidades.
 religiosidade não institucional, mas
individual, com a presençaa de crenças
heterogêneas e, às vezes, formalmente
incompativeis

Contínua migração de experiência espiritual - tentativa
repetitiva de suprir a sede de sentido com novas emoções, mais
ou menos místicas - isso acontece porque cada opção é logo
abandonada quando surge o peso a suportar, os desafios a
enfrentar, a comunidade a encontrar ou com que confrontar-se.
 Religiosidade separada da ética. Em épocas anteriores, a fé
religiosa se relacionava com a ética e o compromisso pela
transformação do mundo, hoje ela se relaciona com a estética e o
espírito de convivência e comunhão. A identidade religiosa dos
jovens torna-se uma identidade-refúgio, sem um verdadeiro
aprofundamento interior, espiritual e ético.
Sublinha-se a eficácia da participação associativa para a
construção da identidade religiosa pessoal, favorecendo a
formação e a adesão de fé, o itinerário religioso pessoal e também

a prática sacramental.
Urgência em renovar profundamente
a oferta religiosa da Igreja:
✜
superar
a
racionalidade
instrumental,
desenvolvendo
a
dimensão estética e mística da fé;
✜ romper a burocratização alienante,
promovendo
a
dimensão
de
comunidade e de encontro pessoal;
✜ enfrentar a ausência de sentimento
e de experiência com um maior
desenvolvimento
da
linguagem
simbólica e afetiva e maior presença
de experiências compartilhadas de
vida.
 O jovem sempre está aberto à fé
porque aberto ao futuro, à busca de
sentido e da própria identidade, à vida
e aos valores.

Essa abertura geralmente é
ofuscada pelo excesso de coisas e de
satisfações imediatas e superficiais.
Acontece a muitos jovens como à
“samaritana” da narraçãoa evangélica
de João: eles precisam de alguém que,
em nome de Deus, desperte neles o
desejo profundo de salvação e de
felicidade camuflado pelas expectativas
imediatas de prazer (cf. Jo 4,15).
 As questões de sentido, sinceras, são
sempre
frestas
que
abrem
à
transcendência, principalmente quando
acolhidas
com
sinceridade
e
desenvolvidas
mediante
itinerários
pacientes de aprofundamento.
 O educador da fé pode abrir caminhos
para a interioridade, ajudar os jovens a
fazerem experiências significativas que
preencham
o
coração:
silêncio,
contemplação da natureza, comunicação
profunda, de acolhida gratuita do outro, de
serviço voluntário
 Itinerários que desenvolvam a
abertura à Transcendência e despertem a
sede de Deus, mesmo quando Ele ainda é
O estilo de vida que adormece ou ofusca o desejo profundo
de sentido, de verdade, de Deus: a pressa, o rumor, a
multiplicidade de relações superficiais, a busca frenética de
experiências novas e sempre mais intensas que respondam
às necessidades imediatas, a escassa capacidade de
interiorização etc.
Da parte da Igreja e das comunidades cristãs, uma forma
de exprimir e viver a fé muito distante da forma de os jovens
verem e viverem a realidade: certa ruptura cultural que os faz
sentir que a fé vivida, celebrada e proclamada pela Igreja é
uma realidade estranha ao seu universo mental e afetivo.
“os jovens precisam de uma
Igreja que, representando
Jesus, se aproxime dos seus
problemas e do seu
desalento, que não só
compartilhe com eles o
caminho e o cansaço, mas
saiba também conversar
com eles, colocando-se no
seu nível, interessando-se
por aquilo que os preocupa,
assumindo suas incertezas
[...] Devemos ser seus
companheiros na busca do
sentido da vida e na busca
de Deus”.
(Estreia 2010, p. 34-35.)


“A busca de modelos pelos
jovens é uma porta que se abre
para lhes apresentarmos a
pessoa de Jesus Cristo [...] Um
importante desafio da
evangelização junto aos jovens
consiste em ajudá-los a escutar
a voz de Cristo em meio a
tantas outras vozes”
(CF 2013, p. 60, no. 174)
“O encontro com Jesus
significa encontrar Deus na
história, um Deus amoroso que
toma feições humanas, na
pessoa de Jesus Cristo. ‘A
Palavra tem um rosto, que por
isso mesmo podemos ver: Jesus
de Nazaré’ (CF 2013, p. 60-61, no.
175.)
CONHECER OS JOVENS
“Conhecer os jovens é condição
prévia para evangelizá-los. Não
se pode amar nem evangelizar a
quem não se conhece.” É
necessário ter em conta a
variedade de comportamentos e
situações da juventude hoje e a
dificuldade de delinear um
único perfil da mesma no mundo
e no Brasil. Trata-se também de
uma oscilação constante,
marcada pelo impacto da
velocidade social das mudanças
culturais e históricas, com as
vulnerabilidades e
potencialidades dos
jovens.(CNBB, 2007, Doc. 85, p. 11,
no. 10)
• O jovem é chamado a ser cristão
permanecendo
jovem
nesta
sociedade.
• Qual a identificação do jovem cristão
de hoje em relação aos problemas e
desafios da sua existência atual,
portanto da sua vida pessoal e social?
• O jovem cristão de hoje é…
✪ Uma pessoa que vive
a vida como vocação,
como realização de um
projeto que dá sentido
e unidade a toda
diversidade de ações e
preocupações; alguém
que vive a vida como
resposta de amor ao
amor de Deus, capaz de
assumi-la como dom,
desenvolver os seus
aspectos melhores com
gratidão e vivê-la com
alegria.
✪ Uma pessoa interior,
capaz de fazer silêncio,
de ouvir a voz de Deus
na vida cotidiana, à luz
da
Palavra;
de
desenvolver
uma
relação de amizade
com Jesus através dos
sacramentos
da
Eucaristia
e
da
Reconciliação
e
mediante a acolhida e
o serviço dos mais
pobres e dos mais
pequenos.
✪ Uma pessoa de
esperança, que sempre
sabe ver o positivo,
embora pequeno e
imperfeito;
sabe
alegrar-se
com
os
pequenos passos; sabe
crer
no
futuro
e
empenhar-se
nele,
porque crê que a força
da ressurreição está
presente e age na vida
cotidiana das pessoas
e da história.

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