Os Limites da Globalização

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Os Limites da Globalização
A Empresa Multinacional
Introdução


Com este trabalho pretendo retratar alguns
dos limites apontados à Globalização.
Para isso, escolhi como objecto de estudo
as empresas multinacionais. A escolha
deste tema teve por razão o facto de as
multinacionais estarem no centro da
Globalização e de muitos dos seus impactos
porem a nu os limites associados à
Globalização e os movimentos contra ela
desempenhados.
A Globalização…
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Nos princípios dos anos 90, a globalização tinha
sido vista como fonte de esperança para
aumentar qualidade de vida em todo o mundo,
concentrando-se nos direitos humanos, na
redução da pobreza e na necessidade de
medidas comerciais mais justas. Assim, abriria
portas aos países para venderem os seus
produtos, tal como, ao investimento directo
estrangeiro. Idealizando-se que todos os países
iriam lucrar com a implementação da
globalização. Actualmente podemos ver que na
verdade não foi o que sucedeu, a globalização
provocou desequilíbrios globais, não só entre os
países, como também, dentro de cada país.
A Globalização…
A Empresa Multinacional
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O processo de globalização esteve na base do
surgimento das grandes multinacionais. A
Globalização tem vindo, de um modo geral, a
facilitar a criação de grandes empresas. Estas por
sua vez é que proporcionaram a divulgação de
ideias e capitais essenciais a certos investimentos
além fronteiras.
As multinacionais têm sido um dos principais
condutores para os benefícios que a Globalização
trouxe aos países, nomeadamente, os países em
desenvolvimento, ajudando a elevar os padrões
de vida em quase todo o mundo. Possibilitaram
que os bens dos países em desenvolvimento
chegassem
aos
mercados
dos
países
industrialmente avançados e vice-versa.
A Globalização da Economia
Taxas de pobreza globais: Percentagem de pessoas que vivem com
menos de 1$ por dia
A Empresa Multinacional
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As empresas trouxeram emprego e crescimento
económico às nações em desenvolvimento e bens
baratos de cada vez maior qualidade aos países
desenvolvidos, baixando o custo de vida e
contribuindo assim para uma era de inflação
reduzida e de taxas de juro baixas.
As empresas têm sido os agentes para a
transferência
das
tecnologias
dos
países
industrialmente avançados para os países em
desenvolvimento, ajudando a fechar o fosso da
disparidade de conhecimento entre os dois. O
investimento em tecnologia e inovação é feito na
grande maioria pelas empresas. Se não fosse a
existência destas, este investimento por parte do
sector estatal não seria tão avultado e não surgiriam
avanços na ciência tão significativos.
A
Evolução das
exportações
mundiais em %
Globalização da Economia
do PIB nos
últimos
30 anos
Comércio int % PIB
mundial
A Empresa Multinacional
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Contudo
este
processo
de
contínuo
desenvolvimento
mundial
que
levou
ao
aparecimento destas multinacionais criou bases
para estas mesmas operarem por vezes a
margem da lei. É sabido do senso comum que o
objectivo final de qualquer empresa, seja ela de
que ramo de actividade for, é a obtenção de
lucro. O que conduz certas empresas a
tomarem atitudes que prejudicam comunidades
inteiras a favor do lucro fácil. Atitudes estas,
que por vezes, são ilegais e tão pouco éticas
como a fuga aos impostos e a não consciência
ambiental que se traduzem em verdadeiros
atentados a sociedade e acabam por ser
apontados como limites a Globalização.
A Empresa Multinacional
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Outra crítica comum é o facto de as empresas serem
frequentemente acusadas de um materialismo que é
característico das sociedades desenvolvidas. Muitas
vezes, as empresas fazem por moldar as
preferências dos consumidores, de modo, a
aumentar os seus lucros, daí lhes serem atribuídos
alguns excessos materialistas.
Trata-se do incentivo desmesurado ao consumismo,
que em certas ocasiões ou sociedades pode levar a
ruptura das mesmas. Situação esta incentivada
através de intensivas campanhas publicitárias que
levam o consumidor ao consumismo exagerado, fútil
e materialista.
Por isso é que as empresas gastam milhões de
dólares em publicidade todos os anos porque a
publicidade promove a apetência.
A Empresa Multinacional
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Neste âmbito, as empresas provocam uma
homogeneização da cultura, quer seja, na
alimentação, na moda ou na música. Os nossos
estilos de vida em todo o Mundo são cada vez
mais semelhantes. Isto deve-se a Globalização
que quebra distâncias e as empresas
multinacionais que expandem e promovem
estilos de consumo, o que tem sido muito
criticado pelos movimentos anti-globalização.
Os protestos traduzem-se na perda do
património e dos traços originais das culturas
nacionais de cada país que tendem a
enfraquecer ou mesmo a perder-se, em favor
de culturas estrangeiras com maior poder de
atracção (efeito de homogeneização cultural).
A Empresa Multinacional
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“Em reforço desta tese, apontam como
paradigma a expansão dos bens e valores
culturais do mundo ocidental (representado
principalmente pelos EUA mas também pela
Europa) para as restantes regiões do planeta,
processo que designam por ocidentalização.
Nesta acepção, a globalização equivale a um
poderoso instrumento de imperialismo cultural,
cujos agentes pretendem impor uma cultura
mundialmente uniforme (a ocidental) à custa
da aniquilação dos hábitos e tradições de
outros povos” (Anthony Giddens).
O que é a Globalização?
Assim,
para
os
movimentos
antiglobalização à Globalização «É o processo
pelo qual determinada condição ou entidade
local estende a sua influência a todo o
globo e, ao fazê-lo, desenvolve a
capacidade de designar como local outra
condição social ou entidade rival.»
(Prof. Boaventura Sousa Santos)
A Globalização é o novo
nome da hegemonia
da política americana...
O que é a Globalização?
Uma princesa inglesa, com um namorado
egípcio que usava um relógio suíço, tem
um acidente num túnel francês, num carro
alemão, conduzido por um segurança
belga, embriagado com whisky escocês,
que era seguido por paparazzis italianos,
em motos japonesas.
A Empresa Multinacional
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Neste contexto, as publicidades sedutoras
criadas a mando das empresas são alguns
dos mais eficazes veículos de difusão dos
modelos culturais. Para além disso, a
crescente diminuição do papel do EstadoNação
também
contribuiu
significativamente
para
a
perda
da
identidade
cultural
nacional
e
o
enfraquecimento
do
sentimento
de
pertença das pessoas aos Estados onde
vivem.
A Globalização da Cultura
Bangalore, Índia
A Globalização da Cultura
Beijing, China
A Globalização da Cultura
Hong Kong
A Globalização da Cultura
Kuala Lumpur, Malásia
A Globalização da Cultura
Londres, Reino Unido
A Globalização da Cultura
Manila, Filipinas
A Globalização da Cultura
Tóquio, Japão
A Globalização da Cultura
Portuguesa
8%
4%
15%
USA
Nacional
Europa
Outros
73%
A Globalização da Cultura
A Globalização da Moda
A Globalização da Moda
A Globalização da Moda
A Empresa Multinacional
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Por outro lado, o crescimento do capitalismo
moderno, a abertura ao Mundo dos mercados
globais,
a
desregulação
dos
mercados
financeiros e o consequente enfraquecimento
do papel do Estado têm vindo a favorecer a
busca da realização dos interesses próprios que
se reflecte no livre funcionamento da economia
de mercado. Contudo o bem-estar social não é
maximizado se as empresas se preocuparem
apenas com os seus interesses, istoé,
maximizarem os seus lucros. “Os mercados,
por si mesmos, conduzem a muito pouco de
algumas coisas, como a pesquisa, e a
demasiado de outras como a poluição” (Joseph
Stiglitz).
O que é a Globalização?
Mais uma vez, a Globalização é retratada
de forma nefasta : «A globalização
alimenta um monstro, o capital, e
ameaça a democracia, pois só visa o
lucro. Ela não apoia as pessoas e a
comunidade, mas a sociedade desumana,
de exclusão.» (Mário Soares)
A Empresa Multinacional
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Para a economia alcançar a eficiência, as
empresas têm de tomar em conta o
impacto que as suas acções têm sobre os
seus empregados, sobre o ambiente e
sobre as comunidades onde operam. Ao
longo dos anos, tem se verificado situações
de negligência por parte de multinacionais
que levaram a graves crises sociais,
ambientais, económicas e politicas em
determinadas regiões do planeta.
A Empresa Multinacional
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O ambiente oferece um campo óbvio em
que os interesses privados e sociais entram
em conflito, com avultadas consequências.
Por exemplo, sai mais caro refinar petróleo
ou gerar electricidade de modo a não poluir
o ar que o contrário. Ou ainda o não
tratamento de resíduos tóxicos da maneira
devida pode levar a graves crises
ambientais,
deixando
um
rasto
de
destruição
ambiental
profunda,
solos
contaminados, dificuldade em obter água
potável e solos improdutivos entre outros
aspectos.
A Globalização do Ambiente
A Globalização do Ambiente
A Globalização do Ambiente
A Globalização do Ambiente
A Globalização do Ambiente
A Globalização do Ambiente
A Globalização do Ambiente
A Empresa Multinacional
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Sem a devida regulamentação
estatal e a pressão da sociedade, as
empresas têm falta de incentivos
para
proteger
o
ambiente
adequadamente, de facto, estes
têm incentivos para provocar danos
se, ao fazê-lo, pouparem dinheiro.
A Empresa Multinacional
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Os subornos e a corrupção representam
outra área em que os interesses sociais e
privados entram em choque. Na prática,
em muitas indústrias, as empresas pagam
subornos para obter todo o tipo de favores,
como a protecção da concorrência externa,
que lhes permite aumentar os preços, ou
ignorar as violações à regulamentação
ambiental ou de segurança. Nos países
desenvolvidos, é muito comum as grandes
empresas contribuírem para as campanhas
políticas para em troca usufruírem de
políticas e isenções fiscais que lhes sejam
favoráveis.
A Globalização do Crime
A Globalização do Crime
A Globalização do Crime
A Empresa Multinacional

Para além disso, a dimensão das multinacionais em
relação aos países onde operam e a pobreza desses
países faz com que eles necessitem dos empregos
que as empresas podem trazer, ainda que a saúde
dos trabalhadores e o próprio ambiente sejam
prejudicados. A Globalização tem tornado ainda
mais complexos os problemas que advêm da
concorrência entre países para atraírem o
investimento, o que muitas vezes se traduz no
rebaixamento dos padrões de vida e ambientais,
pois as empresas querem estabelecer-se nos países
onde vigore a mais branda legislação. É notório o
facto de os governos das nações adoptarem um
conjunto de medidas e incentivos que favorecem a
implementação das multinacionais salvaguardando,
deste modo, o investimento estrangeiro.
A Empresa Multinacional
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Desta forma é fácil compreender porque razão
as empresas multinacionais têm tido um tão
grande protagonismo na Globalização.
Para muitos, estas empresas multinacionais
representam o que está de errado no processo
de globalização, pois derivado ao enorme
poderio económico destas, sendo em diversos
casos o seu volume de negócios superior ao PIB
dos países para onde se fixam a laborar, elas
acabam por pôr a nu os limites da Globalização,
evidenciando o fosso das disparidades entre
países e dentro de cada país, não se verificando
a distribuição de forma justa e equitativa quer
dos custos quer dos benefícios da Globalização.
A Empresa Multinacional

1)
Daí, seguidamente, se propor duas medidas que
podem contribuir para minimizar alguns dos males
provocados pelas empresas multinacionais e do mesmo
modo atenuar a controvérsia gerada pela Globalização:
Responsabilidade Social das Empresas
As novas tecnologias que ajudaram a que a
globalização acontecesse têm sido usadas para chamar
a atenção do mundo para as infracções cometidas
pelas multinacionais. Os executivos compreenderam
que podiam ser acusados por problemas que ocorriam
a milhares de quilómetros de distância da sua sede.
Foram acontecimentos como estes que levaram uma
série de empresas a empenhar-se em iniciativas
voluntárias para melhorar a situação dos seus
trabalhadores e das comunidades onde exerciam a sua
actividade.
A Empresa Multinacional
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
“Em 2000, por exemplo, a OCDE reportou 246 códigos
de
boa
conduta
adoptados
por
empresas
multinacionais” (Bongalia e Goldstein, 2003:76).
Cada vez mais firmas vêem a responsabilidade social
das empresas como uma boa prática empresarial. A
responsabilidade social das empresas é considerada
tanto um valor moral como um valor económico. “Há
estudos que sugerem que as empresas socialmente
responsáveis alcançam melhores resultados nas Bolsas
do que as outras” (Joseph Stiglitz).
Estas empresas ficam a ganhar sem ser apenas por
evitarem a publicidade negativa, pois, para além disso,
também beneficiam de uma força laboral de qualidade
superior que atraem através das suas boas condutas e
de uma moral melhorada: os seus trabalhadores
sentem-se melhor por trabalharem numa empresa que
é socialmente responsável.
A Empresa Multinacional
2)


Limitar o Poder das Empresas
A Globalização tem vindo, de um modo geral, a
facilitar a criação de grandes empresas,
nomeadamente, as multinacionais.
Essas
multinacionais
esforçam-se
para
conseguir os seus lucros e uma das maneiras
mais certas de alcançarem lucros é restringir a
concorrência. Quando escasseia a concorrência,
aumenta a potencialidade para delitos por parte
das multinacionais, o chamado abuso de poder
por parte dos monopólios.
A Empresa Multinacional


“No último decénio a economia mundial foi
caracterizada por um processo contínuo de
concentração, a que os mercados emergentes não
foram decerto estranhos. As operações de fusão e
aquisição sucederam-se a ritmo célere e as formas
de
colaboração
estratégica
entre
empresas
formalmente independentes tornaram-se não só
mais frequente como também mais sofisticadas”
(Bongalia e Goldstein, 2003:82).
Com o advento da Globalização e da comercialização
global dos bens, os monopólios e os cartéis e os
problemas que criam têm se tornado globais. A
Globalização soltou novas potencialidades para um
comportamento anticoncorrencial que pode tornarse mais difícil não só de detectar como de deter.
A Empresa Multinacional

O impacto destes gigantes empresariais
enfraquece as comunidades onde produzem e
vendem os seus produtos, porque acabam
com os pequenos negócios que são
característicos
dos
países
em
desenvolvimento onde se instalam. “Os
pequenos negociantes são muitas vezes, a
coluna vertebral da comunidade” (Stiglitz,
2006:246) e quando estas grandes empresas
esmagam os seus concorrentes, quebram
essa coluna vertebral. O que se traduz a
longo
prazo
no
enfraquecimento
do
desenvolvimento desse país.
A Empresa Multinacional


Um dos grandes feitos associado as empresas
multinacionais é o facto de ser um grande veículo
de conhecimento, inovação e tecnologia nos
países onde se implementam. Contudo, o poder
de monopólio de muitas das multinacionais, não
só origina preços mais altos como menos
inovação, vindo assim minar a troca de
conhecimentos e inovação entre países, empresas
e indivíduos referido anteriormente.
Os riscos e os custos da globalização dos
monopólios são de tal maneira grandes e os
perigos de que as grandes empresas usem a sua
influência política para suprimir a acusação são de
tal maneira frequente, que há necessidade de
uma lei da concorrência global e de uma
autoridade da concorrência global que a aplique.
Para concluir quero apresentar
uma pequena reflexão…
A Globalização…
Todos os anos
desaparecem
37.000 km2 de gelo
Todos os anos
desaparecem
140.000 km2 floresta
12.500 espécies de
fauna e flora em
riscos de extinção
Os transportes são
responsáveis por 1/4
das emissões de CO2
Em 1950, 65% da
população vivia
no campo
Em 2025, 60% irá
viver nas cidades
A Globalização…
1/3 da população mundial
com menos de 2$ por dia
1.000 milhões de
pessoas
sem habitação
1.200 milhões de
pessoas
sem água potável
600 milhões de
crianças na pobreza
2 milhões de crianças
morrem por guerras
110 milhões de minas
por detonar
A Globalização…
Europa, América do Norte,
Japão e 8 provincias da China
detêm 90% do IDE
O Resto do Mundo que
representa mais de 70%
detêm
menos de 10% do IDE
225 Homens são mais
ricos do que metade
da Humanidade
Apenas 20% do Mundo consome
a ele só 80% dos recursos
A Globalização…
A Globalização…
Depois disto, poderemos
concluir que a Globalização
é BOM ou MAU ?
A Globalização…
58
Conclusão



Poderemos nós ver nos impactos provocados
pelas multinacionais um dos limites da
Globalização?
As empresas estão no centro da globalização,
elas podem ser acusadas de muitos males da
sociedade, mas também podem receber o
crédito de muitos dos seus feitos.
Da mesma maneira, que a pergunta não é se a
globalização em si é boa ou má, mas sim em
como podemos remodelá-la para que funcione
melhor. Com as empresas, a pergunta deverá
ser o que pode ser feito para minimizar os seus
malefícios e maximizar o seu contributo para a
sociedade tal como já referi anteriormente.
THE END...

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